Equipe econômica brinca no anúncio das metas
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Lu Aiko Otta e Soraya de Alencar 
Brasília, 30 (AE) - O anúncio solene das metas para a inflação brasileira até 2001 rendeu momentos de descontração, graças ao senso de humor que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, tem revelado - dias atrás, durante uma reunião da Cimeira, ao ouvir do ex-ministro da Economia argentino Domingo Cavallo que a moeda única do Mercosul deveria ser o real, pegou uma bandeirinha do Brasil que enfeitava a mesa e a agitou, comemorando.
Durante a entrevista coletiva após o anúncio das metas de inflação, perguntaram ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, o que aconteceria com a diretoria do Banco Central caso a meta para a inflação não fosse cumprida. Enquanto o ministro se preparava para a responder, Fraga fez um gesto mostrando que sua cabeça seria cortada.
"Não temos aqui o regime da Nova Zelândia, em que o governador do Banco Central pode ser demitido caso a meta de inflação não seja alcançada", disse Malan. "Não é o nosso sistema, nós preferimos, em vez de ameaça de demissão, estimular o trabalho sério e responsável do governo em torno do objetivo." Armínio, então, interrompeu Malan para dizer que, também no Brasil, o presidente do Banco Central poderá ser demitido. "Fico satisfeito em ouvir isso do ministro; mas eu, dentro da minha atuação, terei essa possibilidade sempre presente", afirmou. "O ministro da Fazenda também poderá ser demitido", emendou Malan. "O que não se aplica ao ministro do Orçamento e Gestão", acrescentou, deixando enrubescido o ministro Pedro Parente, também presente à solenidade.
Ao final da entrevista, Fraga já estava de pé, preparando-se para deixar o auditório e fugindo das perguntas sobre a decisão do Federal Reserve (Fed) de elevar as taxas de juros em 0,25 ponto porcentual, quando decidiu voltar e explicar que o governo precisava avaliar a reação do mercado para depois pronunciar-se. Apressado, ele puxou o microfone, derrubando, com o fio, um copo de água que encontrava-se sobre a mesa, molhando a roupa do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo - que iria começar uma entrevista sobre outras decisões do Conselho Monetário Nacional (CMN).
"Esperem um pouquinho, porque agora precisamos enxugar o excesso de liquidez", pediu o diretor.


