Equipe de De la Rúa é favorável ao relançamento do Mercosul Da enviada especial DENISE NEUMANN
Buenos Aires, 27 (AE) - A equipe indicada por Fernando de la Rúa para cuidar das relações exteriores durante a transição é favorável ao relançamento do Mercosul e defende que o melhor mecanismo para resolver conflitos comerciais são acordos entre os setores envolvidos. O relançamento, contudo, exige a adoção de instrumentos que permitam superar a paralisia do bloco comercial e, ao mesmo tempo, dar mais espaço para a participação privada, segundo avaliação de Roberto Lavagna, ex-ministro de Indústria e Comércio e um dos negociadores da fase inicial do Mercosul. Lavagna é um dos economistas indicados para a equipe de transição na área de relações externas, cujo coordenador é Rodolfo Terragno.
Terragno teve hoje pela manhã o primeiro encontro com o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Guido di Tella, e acertou que a equipe de De la Rúa começa a participar, desde agora, de todas as negociações externas do país, incluindo reuniões do Mercosul, área de Livre Comércio (Alca) e Rodada do Milênio dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC). Fernando de la Rúa, o presidente eleito, irá junto com o presidente atual, Carlos Menem, à última reunião presidencial do Mercosul deste ano, que será em Montevidéu, no dia 8 de dezembro
dois dias antes de sua posse.
Lavagna considera que a redução de tarifas é fundamental em uma união aduaneira, mas não é suficiente para aprofundar o Mercosul. Ele lembra que no início do Mercosul, entre 1986 e 1990, havia uma forte preocupação em fazer um bloco comercial que reduzisse tarifas e, ao mesmo tempo, permitisse a formação de acordos setoriais que potencializassem as características de cada um dos países membros e aumentassem as chances do bloco de competir em terceiros mercados.
"Depois o Mercosul se limitou a baixar tarifas e é preciso voltar ao espírito anterior", defende.
Ele pondera que o Mercosul possui dois grandes êxitos e um fracasso.
Os êxitos são o comércio entre os países do bloco, que cresceu 15 vezes, e a importação proveniente de terceiros países
que aumentou cinco vezes. "Isso mostra que o Mercosul não se fechou para o mundo", avalia. O fracasso do bloco, na sua opinião, é o crescimento das exportações para outros países, que só aumentou duas vezes. "O objetivo primeiro do Mercosul, que era melhorar a capacidade exportadora, não se cumpriu", avalia. Ele cita como exemplo de acordos que precisam ser estimulados, o do setor automotivo, onde há uma integração entre montadoras e fábricas de autopeças de Brasil e Argentina que permite, a ambos
ganhar competitividade e ampliar vendas para outros países.





