Equipe da Sema remove hoje abelhas que mataram caseiro
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina - Biólogos da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e professores do curso de biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) vão fazer hoje a operação de captura das abelhas que atacaram o caseiro Aparecido Gouveia Terra, de 56 anos, na tarde de anteontem numa mata à margem do Ribeirão Quati, na zona norte.
Terra morreu na noite de quarta-feira após sofrer várias paradas cardíacas no pronto-socorro do Hospital Universitário, onde aguardou vaga na Unidade de Terapia Intensiva por sete horas. Mesmo alojado em uma ala específica para o cuidado intensivo, a direção do HU garante que o atendimento ao paciente foi equivalente ao que ele teria no leito da UTI. Terra foi sepultado na tarde de ontem em Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina).
A operação de captura das abelhas foi assunto dominante no expediente da Sema ontem. Duas reuniões foram convocadas para a discussão do tema. "Como é um fato imprevisível, não há como fazer a prevenção. Decidimos então agir pontualmente", afirmou o secretário Cleuber Moraes Brito.
A área do ataque foi isolada ontem. Os bombeiros recomendam que motoristas e pedestres evitem a rua, que liga as avenidas Winston Churchill e Brasília e que é paralela ao ribeirão.
De acordo com o secretário, a colmeia abrigava uma espécie africanizada (um híbrido entre a europeia e a africana), considerada muito agressiva. O temor de um novo ataque levou a Sema a marcar a captura para o final da tarde, horário indicado pelos biólogos. "No final da tarde, eles ficam mais pacíficas", explicou o secretário. Segundo os especialistas, a colmeia deve ter de 100 mil a 200 mil exemplares. "Vamos recolher as abelhas e entregá-las a um apicultor", informou Brito. Os integrantes da comitiva de captura vão usar roupas especiais e devem usar fumaça para acalmar a colmeia antes de começar a remoção.
Falta de soro
Em 2012, somente no Paraná, foram 1.144 ataques de abelha e nove mortes. Conforme a farmacêutica Conceição Turini, coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) do HU, o ataque de um enxame tem um alto grau de letalidade, maior que o de cobras, aranhas ou escorpiões. "No caso de um ataque como o que ocorreu no Ribeirão Quati, não há antídoto, como no caso destes outros animais. E também o processo de envenenamento é bem mais rápido", disse. Segundo a especialista, a falta de um soro capaz de neutralizar o veneno se deve à grande variedade de espécies de abelhas, muitas delas híbridas, com toxicinas distintas.



