Uma nova tecnologia pode amenizar as dores de quem sofre de hérnia de disco e até reduzir a necessidade de cirurgia. Trata-se de dois equipamentos de origem norte-americana usados um para tração e outro para flexão da coluna. No Brasil, o procedimento é utilizado em uma técnica batizada de ''reconstrução músculo-articular da coluna vertebral'' para tratamento de problemas relacionados à coluna.

Má postura, transporte de carga de modo inadequado e envelhecimento são as causas da maioria das dores nas costas que atingem 80% da população em algum momento da vida. Entre elas está o mal conhecido como hérnia de disco, que nada mais é que um extravazamento do núcleo fibroso que fica entre as vértebras da coluna.

Essa substância entre as vértebras, explica o fisioterapeuta Afonso Salgado, de Londrina, que trouxe o tratamento para o Paraná, funciona como um amortecedor dos discos, e quando extravaza, seja por má postura ou envelhecimento, comprime a raiz nervosa, causando dor. O mais comum é que esse ''recheio'' saia do lugar na parte posterior, daí que 90% são posteriores.

Segundo Salgado, estudos científicos apontam que 5,5 milhões de brasileiros têm hérnia de disco, e o mal é a terceira causa de aposentadoria precoce no País, apesar de em 30% a 50% das vezes os casos serem de hérnia assintomática.

Não tratar pode piorar o problema. A dor, explica o fisioterapeuta, é neurotóxica, o que provoca a inibição do músculo. Este, por sua vez, fica mais fraco, deixando a coluna cada vez mais suscetível a processos dolorosos, o que desencadeia um círculo vicioso - músculo fraco causando dor nas costas, que provoca enfraquecimento da musculatura, até chegar ao ponto de perda de capacidade do sistema nervoso, quando nem medicação contra dor funciona.

É nesse ponto que muitos pacientes buscam a cirurgia, enquanto estudos mostram que em apenas 5% dos casos ela é necessária. ''Por medo da cirurgia na coluna vertebral, muitos pacientes convivem com dores incapacitantes e doses infinitas de anti-inflamatórios que, muitas vezes, poderiam ser revertidas com este tratamento'', afirma Salgado. A terapia é coadjuvante da fisioterapia, com a vantagem, segundo os especialistas, de trabalhar a coluna de forma tridimensional.

A atividade física é importante para o fortalecimento da musculatura, mas deve ser feita de forma controlada para que o problema não volte a aparecer. ''Se o paciente faz antes de fortalecer aquela (musculatura) profunda, que é a primeira a atrofiar, volta tudo, por isso a fisioterapia deve ser feita antes'', informa Salgado.

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