Um delicado equilíbrio - assim funciona a estreita relação entre os neurotransmissores e o comportamento alimentar. Tal equilíbrio, para quem não faz nem idéia do papel dos neurotransmissores no organismo, significa, por exemplo, maior ou menor vontade de comer doces, ou carboidratos, ou proteínas - o que no final das contas vai fazer uma grande diferença, tanto para a saúde, quanto na balança.
A nutricionista Andressa Montagna, de Londrina, que faz uma revisão desse assunto como tema final da pós-gradução em nutrição funcional, explica que se a alimentação influencia na regulação dos neurotransmissores, estes, por sua vez, também podem alterar comportamentos alimentares. Por isso, ela critica as dietas de emagrecimento que privam o consumo de certos alimentos. ''A privação pode levar ao consumo exagerado de outros (alimentos)'', aponta.
Funciona assim: se a dieta é deficiente de alguns alimentos considerados matérias-primas (precursores), o cérebro pode não ser capaz de produzir alguns neurotransmissores. Essa deficiência, por sua vez, leva o organismo a querer supri-la de alguma maneira, e o que acontece é a ingestão exagerada de um alimento. Neste caso, em uma quantidade que impede o emagrecimento, ou mesmo, que leve a engordar.
Se a privação é de carboidrato, por exemplo, a deficiência é de triptofano, aminoácido precursor da serotonina. A serotonina é um neurotransmissor capaz de relaxar, reduzir a sensação de dor, diminuir o apetite, e melhorar o sono. ''Uma alimentação pobre em carboidratos, por vários dias, pode levar a alterações de humor e depressão, assim como uma alimentação com excesso de proteínas'', alerta.
A privação, explica a nutricionista, também pode deixar a pessoa emocionalmente abalada - o que em pessoas descontentes com o próprio corpo funciona como um gatilho para a compulsão. ''A compulsão é muito maior em mulheres, e nas já obesas. É uma fuga, uma forma de compensar o que causa descontentamento'', ressalta.
Ela explica que em pessoas tensas e nervosas a busca pelo sabor doce é maior. Isto porque o doce libera a substância epinefrina, que funciona como um ópio natural, acalmando.
Além disso, o estresse é outro fator que desregula o funcionamento dos neurotransmissores, o que pode levar a um ''ciclo vicioso de obesidade'' - a deficiência de neurotransmissores leva a uma busca maior por certos tipos de alimentos, daí vem a compulsão e mais stress pela insatisfação com o corpo. ''O caminho é o equilíbrio, não a restrição'', ressalta.

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