EQUILÍBRIO - Escutar o corpo ajuda a combater o estresse
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de outubro de 2004
Marta Franco<br>Agência EFE 
Uma equipe multidisciplinar de especialistas trata no livro ''Stress postural'' (Mira Editores) o problema que afeta pessoas de todas as idades, e oferece uma série de exercícios, junto com propostas práticas e viáveis para melhorar hábitos e acabar com os transtornos decorrentes de uma perturbação do indivíduo com as coisas que ocorrem ao seu redor. ''Pedimos muito de nós mesmos, e a saúde não está bem integrada como um hábito de vida e de trabalho em nossa sociedade'', explica Riccardo Azzolini, um dos autores de ''Stress Postural''.
A overdose de atividade nos conduz ao estresse, ou seja, a uma perturbação na relação de uma pessoa com seu entorno, a um desacordo entre as necessidades e os recursos naturais que dispomos para satisfazê-las.
O estresse tem muitas manifestações e algumas, as orgânicas mais comuns (transtornos músculo-esqueléticos, problemas vertebrais e patologias derivadas, formigamentos nos dedos, cefaléias e hérnias etc.) são provocadas pelo que se chama de estresse postural, que aparece ligado ao estresse laboral, ao das tarefas domésticas, ao cuidado das crianças ou de pessoas mais velhas que acabam por se sobrecarregar.
Embora o estresse não possa ser eliminado totalmente, medidas podem ser adotadas para reduzi-lo e controlá-lo. Existem algumas linhas de prevenção primária, de reeducação e de tratamento dirigidas a todas as idades.
Riccardo Azzolini afirma que ''a saúde é muito mais do que a ausência de uma doença, e cada um é responsável por mantê-la e cultivá-la''.
Desde a antiguidade, sabe-se que o estado de ânimo de uma pessoa se expressa em sua atitude corporal e se comprovou que, melhorando o estado físico do corpo, se pode influenciar no estado de ânimo de uma pessoa. Uma busca da verticalidade das costas no momento de nos sentar ou de caminhar leva a uma postura diferente frente ao meio.
Por este motivo, para nos sentirmos bem conosco e com o meio, segundo Riccardo Azzolini, antes de tomar remédios, devemos nos informar e aprender a nos responsabilizar por nossa posição.
''Antes de chegar à dor, temos que desenvolver um pouco de consciência corporal e ter bons hábitos, só assim preveniremos as doenças dos nossos tempos modernos'', ressalta o especialista.
Toda atividade requer um esforço, tanto físico como psíquico, com intensidades que variam segundo a pessoa e a tarefa a ser realizada. Em muitas ocasiões, vamos muito além de nossos limites, tanto no trabalho como no ócio. Quando os esforços ultrapassam nossa capacidade, apresentam-se a sobrecarga, a fadiga e o desgaste pessoal.
Esta carga física depende do trabalho estático e dinâmico, enquanto a carga estática está determinada pela postura. Um músculo contraído muito tempo não recebe o aporte suficiente de sangue e de oxigênio e não elimina facilmente as toxinas que produz, o que dá lugar a um alto nível de fadiga e dor. Deste modo, o estresse postural é produzido em grande medida por um esforço excessivo, pelas posturas estáticas e pelos movimentos repetitivos.
O primeiro passo para reeducar nossa postura é escutar nosso próprio corpo. Segundo Riccardo Azzolini, muitas vezes, a dor nas costas é o resultado de hábitos nocivos da vida diária, o que demonstra que as ações cotidianas mais simples são um meio de conhecer seus pontos fracos: ''Escutando o corpo, estimulamos a responsabilidade individual sobre o estado de nosso organismo, ganhando em consciência postural''.
Uma vez observados nossos hábitos e posturas, deve-se desenvolver uma técnica pessoal com autonomia, que permita que cada indivíduo seja capaz de adaptar com flexibilidade, exercícios e sugestões e também de organizar um plano de melhora pessoal e adaptá-lo aos objetivos particulares concretos, para que a vontade de melhorar não fique só em um lista de boas intenções.
Há ocasiões nas quais a postura que adotamos é consequência da apatia no organismo, por isso, segundo o fisioterapeuta Riccardo Azzolini é preciso revisar os hábitos alimentares e a qualidade do repouso para não chegar ao esgotamento.
''Na atualidade, comemos muito, por isso teríamos que revisar nossos hábitos alimentares e comer menos, não para emagrecer, mas para não comer muito, evitando a sensação de excesso'', explica o especialista.
Respeitar o descanso é indispensável. Azzolini assegura que a melhor postura para dormir é de boca para cima ou de lado, na posição fetal. ''Temos que eliminar a posição de boca para abaixo na qual muita gente dorme seguindo um costume que aparece na infância quando nossa costas são diferentes. Quando adultos, ela se converte em um vício prejudicial''.
Do mesmo modo, segundo ele, deve-se dormir com um travesseiro baixo e flexível, capaz de se adaptar às cervicais, respeitando a constituição do indivíduo, já que assim não se produz nem uma grande flexão nem uma grande extensão do pescoço.


