Quito, 15 (AE-REUTERS) - O Equador viveu hoje (15) mais um dia de caos, com as cidades sitiadas e promessas de nova greve geral a partir quarta-feira. A inflação no país em 1998 foi a mais alta da América Latina: 43,4%, mas pode subir ainda mais por causa do aumento dos combustíveis e dos tributos.
Os equatorianos começaram a formar filas nas portas dos bancos ainda de madrugada, mais de duas horas antes do horário previsto para o início do expediente, depois de dez dias de paralisação dos serviços bancários.
O governo temia que a tentativa da população de sacar os recursos depositados e não congelados por determinação do governo terminasse em confrontos nas 22 províncias do país.
Para evitar confrontos mais graves, o presidente da Associação de Bancos Privados do Equador, Carlos Larreátegui, pediu ao Bano Central que distribuísse equilibradamente o dinheiro necessário para os saques.
Os recursos retidos somam aproximadamente a metade do total de depósitos em todo o sistema financeiro equatoriano: US$ 8,6 bilhões. Especialistas acreditam, porém, que o sistema financeiro local pode ficar comprometido caso os correntistas, desconfiados e em pânico, decidam retirar todo o dinheiro autorizado. Por causa do bloqueio, muitas empresas também não têm recursos para pagar os salários.
As instituições estavam fortemente protegidas por efetivos do Exército e das Forças de Segurança do país, já que o trânsito nas estradas estava novamente bloqueado por indíginas e agricultores. Na capital e nas 22 províncias, 100 mil taxistas fecharam as ruas em sinal de protesto contra as medidas anunciadas pelo presidente Jamil Mahuad. Nenhum sistema de transporte funcionou em Quito, Guyaquil, Cuenca, Portoviejo, Manta, Ibarra, Ambato, Riobamba, nem em Machala.
A paralisação dos transportes públicos levou a associação das escolas particulares a suspender as aulas hoje e recomendar que os estudantes ficassem em casa. As escolas públicas estão sem aula há dois meses por causa da greve dos professores.
No Congresso, que deve aprovar o pacote de aumento de impstos e corte de gastos remetido pelo governo na semana passada, o Partido Social Cristão, que integrava a base governista, anunciou hoje que havia retirado seu apoio ao Executivo para fazer uma "oposição total, frontal e direta" à medidas econômicas.
Os representantes diplomáticos do país na assembléia-geral do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Paris, pediram hoje à comunidade internacional que conceda financiamentos para que o Equador possa sair da crise.

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