Quito, 27 (AE-AP) - O governo do presidente Jamil Mahuad, do Equador, já tem pronta a proposta de reestruturação da dívida externa em bônus Brady, a ser apresentada aos organismos internacionais com os quais o país está negociando um pacote de socorro financeiro. A idéia é substituir os bônus existentes por novos papéis com prazo de 15 anos e juros de 8%, mas os detentores dos atuais Brady perderão 60% do valor de face dos títulos velhos no momento da troca.
É que as autoridades equatorianas pretendem entregar apenas US$ 0,40 por dólar de valor de face dos bônus Brady, de modo a cancelar 60% do valor nominal da dívida, o que resultaria em um alívio de US$ 3,600 bilhões no total do endividamento externo. Se a fórmula for aceita, o peso da dívida no orçamento federal do ano que vem cairá drasticamente, disse uma fonte palaciana.
Mahuad disse ainda, em entrevista transmitida pela televisão, que pretende conseguir uma boa redução também na dívida do país com o Clube de Paris assim que o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estiver concluído. Segundo ele, a data da assinatura do memorando de entendimento "está muito próxima".
A incerteza sobre a data, porém, provocou nervosismo no mercado local, apesar do otimismo presidencial. O sucre, a divisa local, caiu hoje mais 0,5% em relação ao dólar norte-americano. No mercado de dívida dos países emergentes, em Londres, contudo, o dia foi de calma, na expectativa de que as autoridades equatorianas anunciem formalmente os detalhes do plano de substituição dos títulos.
Em declarações feitas hoje às emissoras de rádio do país, a ministra das Finanças Ana Lucía Armijos, tentou acalmar a população garantindo que o país não vai se submeter à política do FMI. Ela afirmou que o programa econômico em discussão não foi idealizado pelo organismo internacional, mas faz parte do plano de governo.
"Com ou sem o Fundo Monetário, o país tem um programa econômico e sem o aval do o ajuste teria de ser muito mais severo", disse. Ana Lucía Armijos também negou que o FMI tenha exigido o fim dos subsídios aos combustíveis e aos serviços públicos. "O Fundo nunca propos a eliminação dos subsídios e está apoiando nosso programa."

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