Quito, 25 (AE-AP) - O presidente do Equador, Jamil Mahuad, anunciou nesta quarta-feira (25) a estratégia do país para reestruturar a dívida emitida em bônus Brady, que soma US$ 6 bilhões, quase a metade do total da dívida pública externa, estimada em US$ 13 bilhões.
A idéia é recomprar parte desses papéis para reduzir o grau de comprometimento externo e os desembolsos a título de juros, e emitir novos bônus de prazos mais longos e juros menores.
No mercado, os bônus ao par do Equador avançaram ontem 4,21%, para fechar a US$ 0,34 por dólar de valor de face. Hoje esses papéis pagam um prêmio superior a 38% acima dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de prazo equivalente.
Atualmente, o país destina 42% de seu orçamento para honrar o serviço da dívida. Mas, por causa da crise econômica e financeira que deverá resultar em uma retração do Produto Interno Bruto da ordem de 7% e inflação de 55% a 60%, o Equador ameaçou tentar obter o aval do Fundo Monetário Internacional (FMI) para uma moratória negociada do pagamento dos juros devidos este ano.
As negociações com o FMI, para a liberação de um crédito stand-by de 18 meses no valor de US$ 1,2 bilhão estão sendo conduzidas há duas semanas e podem levar mais alguns dias.
Na terça-feira, porém, o presidente norte-americano, Bill Clinton, sugeriu que apóia a "reprogramação" da dívida externa do Equador com o Clube de Paris, o que foi imediatamente interpretado pelas autoridades em Quito como um sinal de que o acordo com o Fundo poderá sair em breve.
De acordo com fontes equatorianas, o pedido formal de ajuda ao FMI, com o memorando de entendimento, seria assinado até sexta-feira, antes da partida do presidente Mahuad para uma viagem à ásia.

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