Quito, 18 (AE-REUTERS) - O governo do presidente Jamil Mahuad recuou hoje (18) e alterou os pontos mais criticados de seu pacote econômico a fim de alçancar um acordo com a oposição e terminar com o clima de convulsão social que sacode o país.
A gasolina, antes com um aumento de 165%, subirá 49%. Também terminou o estado de emergência no país. Mesmo assim, o país continuava parado hoje por causa do bloqueio das estradas. A greve nos transportes públicos está no seu quarto dia.
Além das medidas de maior impacto, Mahuad também disse que criará impostos para os carros de luxo e o patrimônio empresarial, serão eliminadas certas isenções tributárias do IVA e não haverá mais isenções para o imposto de renda.
O presidente pensa em reduzir o atual déficit fiscal de 6% do PIB (US$ 1,2 bilhão) para 3,5%. O governo informou que as medidas econômicas contidas no acordo permitirão um rendimento de US$ 520 milhões extras para cobrir o déficit fiscal.
Para Joyce de Ginatta, presidente da Câmara da Pequena Indústria de Guayas, o acordo não resolve o problema do déficit. "O governo apenas solucionou um problema político que ele mesmo criou", disse Ginatta. Para Pablo Lúcio Paredes, diretor da consultoria econômica Ekos, "as coisas estão sendo feitas no Equador de forma muito medíocre".
Com dívida externa de US$ 16 bilhões e índice de pobreza de 62,5%, o país andino passa por sua pior crise econômica das últimas décadas. Os sindicalistas já mandaram avisar: os protestos continuam até sábado, quando será realizada uma reunião em Quito para saber se a greve continua.

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