Quito, 09 (AE-REUTERS) - O feriado bancário decretado pelo governo do Equador deverá prolongar-se até a quinta-feira (11), inclusive, para evitar que a população em pânico por causa da crise econômica e financeira do país saque todos os recursos depositados nos bancos, que hoje continuavam fechados pelo segundo dia consecutivo. Enquanto a equipe da ministra das Finanças, Ana Lucia Armijos, discutia medidas de ajuste que podem levar até à dolarização da economia equatoriana, como admitiu hoje a própria ministra, a Frente Popular, entidade de esquerda que reúne sindicatos e organizações de oposição, detalhava a greve geral de 48 horas que começa amanhã.
As novas iniciativas do governo para resolver a crise e ajustar a economia só devem ser anunciadas na quinta-feira, pois os integrantes da equipe de Ana Maria Armijos ainda estão analisando as alternativas apresentadas por um grupo de estudos comandado pelo ex- ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo.
Até agora, todas as medidas sugeridas pelo presidente equatoriano, Jamil Mahuad, para acalmar os mercados, conter a desvalorização do sucre, a divisa local, e evitar uma moratória de parte dos US$ 16 bilhões que o país deve aos estrangeiros, foram duramente criticadas pelos empresários, banqueiros e pela população local.
"Não estamos apenas enfrentando pânico no sistema financeiro, mas o país inteiro parece ter perdido as esperanças", afirmou hoje o analista Angel Rojas. Ante as incertezas e as ameaças de aumento de impostos e redução dos gastos públicos, Fausto Dutan, líder da Frente Unida dos Trabalhadores pediu hoje às mulheres equatorianas que saiam amanhã e depois às ruas e organizem panelaços contra o governo.
Temendo um aumento no preço dos combustíveis, os motoristas equatorianos passaram hoje horas nas filas dos postos de serviço para encher o tanque. Amanhã, as populações indigenas prometem fechar a maioria das estradas da Região Norte país.
Os sindicatos de servidores públicos e de funcionários da área de energia também prometeram deixar o Equador às escuras amanhã e depois em sinal de protesto contra os cortes de gastos do governo, que pretende reduzir o déficit de US$ 1,2 bilhão, ou 6% do Produto Interno Bruto (PIB). A greve geral tem ainda o apoio de estudantes e professores.
Os sindicatos e a população local rejeitam as medidas econômicas anunciadas até agora, que prevêem o congelamento dos salários, a elevação de impostos e fortes restrições aos gastos públicos e ao crédito. Já os banqueiros e empresários afirmam que o governo perdeu o controle sobre a economia. As estatísticas indicam que 63% da população do país vivem na pobreza e, no ano passado, o país teve prejuízos de US$ 2,6 bilhões por causa do fenômeno climático El Niño e da queda nos preços do petróleo.
A possibilidade de uma moratória total ou parcial das dívidas externas equatorianas também contribui para assombrar os agentes econômicos internos e externos. Essa preocupação é ainda maior em relação aos bônus do tipo Brady emitidos pelo Equador, papéis que são garantidos pelo Tesouro dos Estados Unidos.
De acordo com o centro de pesquisas Economist Intelligence Unit (EIU), com sede em Londres, os títulos do tipo Brady representam cerca da metade da dívida externa do Equador, estimada em US$ 16 bilhões. "Um atraso ou a suspensão dos pagamentos desses títulos teria um efeito desastroso sobre os países da América Latina", afirmou Jerome Booth, chefe de Pesquisas da Ashmore Investment Management, em Londres.

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