Quito, 30 (AE-AP) - A ministra das Finanças do Equador, Ana Lucía Armijos, disse hoje que seu país chegou a um acordo de empréstimo multilateral com o Fundo Monetário Internacional de US$ 1,4 bilhões. Parte do dinheiro (US$ 400 milhões) se destinará a arrumar o sistema bancário equatoriano, cuja deficiência é uma das responsáveis pela profunda crise do país. Michel Candessus, gerente geral do FMI, informou, por sua vez, que US$ 400 milhões serão enviados ao Clube de Paris, possivelmente em julho, para renegociação de dívida externa.
Os outros US$ 500 milhões restantes serão destinados a fins sociais, dentre os quais modernização do sistema judiciário equatoriano, redução da pobreza rural e recuperação da infra-estrutura, destruída por causa do fenômeno El Niño. Camdessus informou ainda que o acordo deve conter uma carta de intenção do governo equatoriano, que deverá ser analisada em maio pelo FMI. Para Lucía Armijos, "o programa é duro mas necessário".
Irritados com o atraso de dois meses em seus pagamentos, trabalhadores do setor de Saúde equatoriano, em greve há um mês, cortaram as veias publicamente para chamar a atenção do titular da pasta, Edgar Rodas. Este não se sensibilizou e, às emissoras de televisão, disse que "perder um pouco de sangue não faz mal a ninguém". Rodas também explicou que o atraso nos pagamentos do setor se dá pela crise em que o país passa e que os trabalhadores querem dramatizar a situação. "Eles deviam doar sangue para um banco de sangue", completou.

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