Equador estuda pedir moratória ao Clube de Paris
Quito, 02 (AE-DOW JONES) - O governo do Equador estuda a possibilidade de pedir o perdão de sua dívida externa no âmbito do Clube de Paris, no valor de US$ 1,2 bilhão, para aliviar a carga de juros que o país deve pagar aos credores externos.
Para que isso seja possível, admitiu hoje (02) a ministra das Finanças, Ana Lucía Armijos, será preciso negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um crédito stand by no valor de US$ 400 milhões.
De acordo com os dados do Ministério das Finanças, os gastos do Equador com juros e amortização da dívida externa consomem 41% do Orçamento-Geral da União, ou o equivalente a US$ 2,115 milhões.
A proposta de cancelamento da dívida externa contraída com os governos estrangeiros também está sendo analisada no Legislativo
pois os parlamentares de diversas facções acreditam que o Equador poderá enquadrar-se na categoria de país pobre, beneficiando-se da iniciativa proposta pelo presidente francês, Jacques Chirac.
Ana Lucía Armijos lembrou que, em 1994, o Equador conseguiu cancelar parte de sua dívida com os governos da Bélgica, da Suécia e da Suíça. Em meados da última década, observou ainda, o país atrasou o pagamento de créditos externos por causa da crise verificada na ocasião e nem por isso ficou isolado da comunidade financeira internacional.
Para o economista equatoriano Alberto Acosta, a suspensão dos pagamentos da dívida externa por alguns anos daria ao país a oportunidade de superar a crise e adotar uma política de desenvolvimento sustentado. Isso, explica o especialista, daria ao Equador, no futuro, as condições necessárias para manter em dia os pagamentos externos.
A situação econômica e financeira do Equador ainda é grave, avaliam especialistas do governo que prevêem uma forte desaceleração no ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação superior a 50% este ano. Atualmente, o déficit fiscal soma US$ 1,2 bilhão e é o principal obstáculo à recuperação econômica do país.
Hoje, o presidente Jamil Mahuad reduziu o prazo de congelamento dos depósitos bancários, medida que havia sido anunciada há cerca de três semanas. Em vez de reter o dinheiro depositado nas contas correntes e nas aplicações de poupança por um ano, Mahuad pretende congelar esses recursos por seis e sete meses, respectivamente. Apenas o dinheiro aplicado em investimentos de renda fixa ficará retido nos bancos por 12 meses a contar de 11 de março, data do anúncio das medidas.
Situação difícil - Os equatorianos lotaram hoje as igrejas de todo o país para participar das cerimônias relacionadas à Semana Santa e rezar para superar a difícil situação econômica e social. Com a inflação de março em 13,5%, o maior índice da última década, de acordo com o estatal Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, poucas foram as famílias que conseguiram ter à mesa a tradicional sopa de bacalhau e grãos ou tiveram a oportunidade de viajar durante o fim de semana prolongado.





