Equador declara moratória parcial sobre juros de bônus Brady
Quito, 27 (AE-AP) - O presidente do Equador, Jamil Mahuad, declarou ontem uma moratória parcial sobre os juros dos bônus Brady, no valor de US$ 98 milhões, e pediu flexibilidade de parte dos organismos internacionais e dos credores para renegociar a dívida externa. O Equador "não pode pagar sua dívida externa nos termos em que se encontra atualmente", disse o presidente, explicando que, por esta razão, o país só pagará os juros dos bradies que não tenham garantia. Mahuad explicou, em pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, que os detentores de bradies que não receberam os juros devidos pelo Equador deverão fazer efetiva sua garantia para que não tenham problemas. Ele afirmou que a quantia a ser cancelada na próxima terça-feira, data de vencimento de bradies. "é um pouco menos da metade dos juros que deveriam ser pagos". Os bônus Brady, lançados pelo ex-secretário do tesouro norte-americano, Nicholas Brady, vem permitindo nos últimos 10 anos que 18 países paguem suas dívidas, transformando-as em novos bônus, parcialmente apoiadas pelos papéis do Tesouro norte-americano. Mahuad tem lutando contra a crise bancária do país, os danos causados pelo El Niño e a baixa mundial do preço do petróleo. Líderes internacionais e credores estão preocupados com a economia equatoriana. Apesar de o país não estar entre os maiores da região, alguns temem que o não pagamento dos bônus Brady possa provocar uma queda no mercado dos países emergentes. O Equador vem desenvolvendo propostas para reestruturar completamente suas dívidas de US$ 6 bilhões em bônus Brady e preparava-se para apresentar as estratégias para esta reestruturação nesta semana, durante a reunião anual do FMI em Washington. As dívidas em bônus Brady são responsáveis por quase a metade da dívida internacional do país, que é de US$ 13.3 bilhões. O país vem negociando um empréstimo de US$ 400 milhões com o FMI para ajudar na recuperação do sistema bancário. O vice-diretor do FMI, Stanley Fischer, disse no sábado (25) que o Equador pode receber "quantias substanciais" do fundo se resolver seus problemas financeiros e negociar diretamente com seus credores. O Equador, menor país da América do Sul, com uma população de 12 milhões, foi muito afetado pelas enchentes provocadas pelo El Niño, que causou perdas estimadas em US$ 2.6 bilhões.





