Equador começa a dolarizar economia
Quito, 21 (AE-AP) - O governo equatoriano iniciou nesta terça-feira (21) o processo de dolarização de sua economia, medida anunciada em janeiro pelo presidente Jamil Mahuad - deposto após uma série de protestos populares, que levou a uma intervenção militar - e mantida pelo sucessor dele, Gustavo Noboa.
A partir de hoje, os bancos do país convertem em dólares os valores de cheques emitidos em sucre. O mesmo procedimento é adotado em relação aos depósitos bancários.
Extratos de contas devem registrar movimentos e cifras nas duas moedas e os talões de cheques passaram a ser impressos de modo que o correntista estabeleça se os valores são expressos em sucre ou em dólares. A partir de julho, quando entra em vigor uma nova fase do processo de dolarização, esses valores só poderão ser denominados em dólares.
O plano foi lançado pelo governo na tentativa de conter a grave crise que tem levado o país a registrar os piores indicadores econômicos da América do Sul.
Praticamente um terço da população do Equador vive abaixo da linha de pobreza, o desemprego ou subemprego atinge mais de 20% dos equatorianos e a inflação acumulada nos dois primeiros meses deste ano já supera os 25%.
Em Washington, onde negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) uma linha de crédito de US$ 2 bilhões para os próximos três anos, o chanceler equatoriano, Heinz Moeller, defendeu a dolarização.
"Trata-se de uma camisa-de-força que obrigará o governo a manter uma férrea disciplina fiscal e reduzir o gasto público", disse.
"As taxas de juros, que estavam em 180% ao ano, baixaram para 18% e o poder de compra dos assalariados, que em um ano caiu de US$ 160 para US$ 53 por mês, já parou com seu movimento de queda."
Ao mesmo tempo em que a dolarização se instalava no país, um grupo de aproximadamente mil manifestantes concentrou-se em Quito para protestar contra a nova política econômica.
Em um curto discurso, Napoleón Saltos, coordenador da Organização de Movimentos Sociais disse que o povo "vai retomar a bandeira da dignidade para construir um novo Equador".
Blanca Chancoso, dirigente da Confederação de Nações Indígenas (Conaie), informou hoje que seu grupo iniciou uma jornada de protesto e oposição à dolarização da economia.
Não houve nenhum registro de incidentes violentos nem de confrontos entre manifestantes e policiais.
Os grupos populares acusam o governo de ter endividado a população ao estabelecer o câmbio em 25.000 sucres por dólar, que representou uma maxidesvalorização de quase 20%.





