Equador adotará nova moeda se conseguir ajuste
Quito, 15 (AE-AP) - O presidente do Equador, Jamil Mahuad, disse nesta quinta-feira (15) que pretende criar uma moeda vinculada ao dólar, para substituir o combalido sucre. A promessa depende da capacidade de seu governo de alcançar o equilíbrio fiscal no curto prazo e ter êxito na aplicação do programa de saneamento do sistema financeiro.
A auditoria nos 39 bancos que operam no país, todos sob intervenção do Banco Central do Equador em decorrência de problemas de liquidez, deve ser concluída em junho.
Pressionado por um déficit fiscal de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o presidente veio a público ontem para detalhar o que definiu como "Plano Equador 2000". Segundo seus opositores
principalmente economistas e empresários, na prática, o anúncio mais pareceu um discurso populista, com uma série de boas intenções para diminuir a miséria, reativar a produção, incentivar a descentralização e tentar atingir o equilíbrio fiscal.
Pelo projeto de Mahuad, o governo vai dar novo impulso às áreas sociais, principalmente educação e saúde, além de realizar programas de habitação popular e de reparação da infra-estrutura produtiva, como o conserto de estradas. Além disso, informou o presidente, 150 projetos de desenvolvimento deverão assegurar a criação de empregos, com o objetivo de reintegrar ao mercado de trabalho mais de 200 mil pessoas que perderam seus postos desde janeiro.
"Mahuad oferece-nos o país das maravilhas, mas não diz de onde pretende tirar o dinheiro para isso", afirmou a presidente da Câmara da Pequena Indústria de Guayas, Joyce de Ginatta. "Ele ouve, mas não escuta", disse ao qualificar o discurso como populista e incoerente, já que o governo não tem sido capaz nem de pagar os salários em atraso do funcionalismo.
No Congresso, onde tramitam vários projetos de lei que compõem o plano fiscal idealizado para reduzir o déficit em 3,5% e criar condições para a assinatura de um acordo com o Fundo Monetário Internacional, a receptividade foi maior, pois os políticos argumentam que o país não pode suportar mais impostos sem retorno em termos de serviços e crescimento econômico.
Essa também é a visão do presidente e do vice da Câmara de Comércio de Quito, respectivamente, Xavier Expinoza e Andrés Pérez. Para esses empresários, o plano é coerente e realizável por estabelecer um rumo claro.
Não bastassem as divergências internas em relação a seu plano, Mahuad sofreu outro golpe ao ser informado que os 120 mil professores do país, cujo pagamento está em atraso, pretendem retomar a greve. As autoridades admitem ter descumprido a promessa de quitar os salários atrasados, mas alegam que o déficit público já soma US$ 1,2 milhão, em decorrência do aumento da inflação, que supera 50% ao ano. A paralisação dos professores poderia receber a adesão dos trabalhadores no setor de petróleo e de saúde.





