Quito, 17 (AE-REUTERS)- Bloqueios nas estradas e greve de motoristas de ônibus e táxis, marcha de indígenas, trabalhadores indo a pé ou de bicicleta para o trabalho. Este era hoje (17) o panorama das ruas de Quito, a capital, e Guaiaquil, as duas principais cidades do Equador.
Na cidade de Otavalo ocorreram saques. Cuenca e Portoviejo já vivem essa situação há uma semana.
Enquanto isso, governo e Congresso discutem um meio de superar a pior crise econômica já vivida pelo país andino nas últimas décadas.
O descontentamento popular explodiu na quinta-feira passada, depois que o presidente Jamil Mahuad anunciou um drástico plano de ajuste fiscal que, dentre outras medidas, aumentou a gasolina em 165% e congelou os depósitos bancários. Apesar do caos institucional, o presidente dos EUA, Bill Clinton, exortou seu colega Mahuad, por carta, a "enfrentar o profundo problema econômico do país".
A Frente Patriótica, a maior central operária do país, reafirmou hoje que os protestos devem continuar até que Mahuad renuncie. O presidente está há sete meses no poder e sua popularidade, atualmente, beira os 16%. A Frente também planeja uma greve geral por tempo indeterminado que tem o apoio de associações que representam um milhão de camponeses, três milhões de indígenas e 15 mil trabalhadores dos setores petrolífero e elétrico.
A atenção do país se voltou hoje para o Legislativo. Surgiu um novo bloco governista, depois da ruptura do Partido Social Cristão com o governo. A nova maioria é integrada pela Democracia Popular (democratas-cristãos), de Mahuad, a Esquerda Democrática (social- democrata) e outros dois pequenos partidos de centro. Mesmo assim, o governo se encontra em uma encruzilhada. Está sendo feita dentro do Congresso uma nova proposta econômica a ser enviada ao presidente. O maior desacordo entre o gabinete de Mahuad e os congressistas reside em dois temas: o novo preço da gasolina e o estado de emergência.
Em meio a tanta informação desencontrada, o governo também teve de vir a público para desmentir versões que davam como certa a saída de Jaime Durán, secretário da Administração. O desmentido oficial, vindo do Palácio de Carondelet, sede do governo, ficou a cargo do porta-voz, Juan Reece, e foi confirmado por Roberto Erazo, assistente de Durán. O secretário é considerado braço direito de Mahuad.

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