Até os matemáticos se rendem ao número 2000. ‘‘Pelo fato da gente sair dos anos 1900, realmente causa uma expectativa muito grande’’, comenta Alexandre Trovon de Carvalho, professor de Matemática da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Deixando a análise passional de lado, ele atesta: ‘‘o ano 2000 é o último do século 20. Para contar os 20 séculos atuais precisamos do 2000’’.
Na Idade Antiga, ábacos e algarismos romanos eram usados para controlar os anos. Carvalho relata que uma rivalidade com os árabes jogou o ano 2000 para o século atual. Os povos do Oriente Médio introduziram o zero em suas transações comerciais. Como os europeus consideravam os árabes ‘‘pagãos’’, o número foi simplesmente ignorado pelos criadores dos calendários juliano e gregoriano.
‘‘Se o zero fosse levado em conta, o ano 2000 já poderia fazer parte do século 21’’, diz Carvalho. Para se completar um século, é preciso somar 100 anos. Como o calendário atual só existe por causa da instituição do ano 1 e não do ano zero, uma nova era só deve ser reconhecida a partir do primeiro ano de cada século. Exemplo: o século 20 começou em 1901 e não em 1900. Só vai terminar na virada de 2000 para 2001.
Houve um tempo na Idade Média em que a civilzação européia se perdeu na contagem dos dias. No século 16, o Papa Gregório XIII decidiu recuperar o acompanhamento dos dias. Depois de muitos cálculos e estudos, os matemáticos da época suprimiram 10 dias do ano de 1582. Surgia o calendário gregoriano. A população terminou seus afazeres no dia 5 de outubro e começou outro no dia 14 do mesmo mês.
Os matemáticos estudaram o comportamento da Terra em relação ao Sol. Concluíram que o planeta precisava de 365 dias e quase seis horas para dar uma volta em torno do Astro-Rei. As horas que sobraram obrigaram os matemáticos a criar o ano bissexto para evitar novas confusões no futuro. A cada quatro anos, fevereiro ganha mais um dia para compensar as quase seis horas acumuladas nos períodos anteriores.
Mas para esta conta dar certo, os matemáticos do Papa Gregório XIII ainda tiveram de criar uma nova equação. O objetivo era eliminar os minutos que faltavam para completar as seis horas dos 365 dias de cada ano. A conclusão foi a seguinte: os anos que terminam com dois zeros e são divisíveis por 400 também podem ser bissextos. Como 1900 não era divisível por 400, fevereiro continuou com 28 dias, ao contrário do ano 2000, que foi bissexto.
À primeira vista, toda esta contagem foi feita por pura conveniência dos poderosos da Idade Média. Ledo engano. O calendário está tão enraizado no cotidiano da humanidade que é impossível viver sem ele. É só observar a duração das quatro estações (outuno, inverno, primavera e verão) que regem as épocas de plantio e colheita dos alimentos que nos mantêm vivos. (D.V.)

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