Rio, 05 (AE) - As investigações sobre o grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) esbarraram em outro episódio nebuloso: a oferta de suborno denunciada pelo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), em abril.
Num telefonema para o aparelho privativo do governador, um desconhecido, que se identificou como "Coelho", ofereceu dinheiro para que Garotinho desistisse do decreto que diminuía as tarifas dos ônibus intermunicipais. O chamado, segundo o governador, partiu da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A linha privativa do Palácio Guanabara só pode ser acessada por telefones privativos como os da Alerj.
Em junho, o gerente da agência do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj) em Copacabana (zona sul), Luiz Blanco Lopes, confirmou ao delegado federal Rubens Grandini que passou para o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha dados cadastrais - filiação, movimentação bancária e endereços - de dois clientes: Adenor Gonçalves dos Santos e José Augusto Ariston. Os dados foram passados por telefone a Rocha em abril. Esse telefonema foi interceptado pela escuta autorizada judicialmente feita pela Polícia Federal (PF) nos celulares dos suspeitos do grampo no BNDES.
No depoimento, Blanco disse que Ariston era funcionário do Estado. O subsecretário do Gabinete Civil do governo chama-se Augusto José Ariston e, na época, ele foi acusado pelo deputado estadual Paulo Mello (PSDB) de ser sócio do dono da Viação 1001, Amaury de Andrade, um dos interessados em derrubar o decreto de redução dos preços das passagens.
Ariston também aparece numa denúncia feita durante a campanha eleitoral: o então candidato César Maia, do PFL, divulgou gravações de conversas telefônicas entre ele e Garotinho, acontecidas há três anos, nas quais o hoje governador se oferecia para comprar a rádio que ele tem em Campos, no Norte fluminense, em nome do empresário Ari Carvalho, dono do jornal "O Dia".
Segundo o advogado de Rocha, Nélio Andrade, o cliente contou que estava fazendo uma investigação para uma empresa. "Ele não cometeu nenhum crime", afirmou. O gerente do banco, que quebrou o sigilo bancário de clientes, deverá ser indiciado por este crime ao fim do inquérito, segundo fontes ligadas à investigação. No depoimento, Blanco diz que fez isso porque é amigo de Rocha e que o ex-policial teria dito que tinha vendido o carro e precisava checar se os cheques, em nome de Ariston e Santos, tinham fundos.

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