A apreensão de 300 quilos de cocaína ontem em Londrina confirma a tese de que a região está se tornando um dos principais pontos da rota do tráfico internacional de drogas no Brasil. Segundo informações da polícia a droga mais consumida na região é a maconha trazida, principalmente, de estados do nordeste. A cocaína, ao contrário, é trazida da Colômbia e Bolívia.
Os quatro principais chefes de quadrilhas ligadas às drogas desbaratadas na história de Londrina e região foram Gilberto Yanes, Benedito Carlos Clausen, apelidado de Dito Quati, José Morandi - ex-prefeito de Guaraci - e o fazendeiro Maurílio Favoreto.
O caso mais notório ligando Londrina ao tráfico internacional de drogas foi descoberto em 1985 a partir de um acidente aéreo perto de Santa Cruz de La Sierra (Bolívia). No acidente morreram o empresário londrinense Gilberto Yanes e seu piloto Rainer dos Reis Ramos. O avião estava carregado de éter e outros produtos utilizados no refino de cocaína. Em consequência, a PF - em conjunto com a Polícia Militar e a Receita Federal - desencadeou uma operação onde várias empresas do grupo Yanes foram investigadas.
Foi encontrada farta documentação que comprovava a ligação de Yanes com o tráfico internacional de drogas - Cartel Boliviano - e com o ‘mercado negro’ do dólar, moeda norte-americana. Na época, a operação foi considerada uma das maiores ações da Polícia Federal contra o tráfico de drogas no País.
Arquivo FolhaSheila Lopes Clausen (mulher de Dito Quati), o filho Gilberto Clausen e a nora Helena BressianiSomente 11 anos depois de descoberta a canexão, a Justiça Federal julgou e condenou oito pessoas envolvidas nela, inclusive a viúva de Gilberto, Maria do Carmo Melo Yanes. A viúva do chefe do contrabando foi condenada a 12 anos de prisão, mesma pena definida para outros cinco membros da conexão internacional.
Já Dito Quati - ex-prefeito de Platina (SP) - comandava uma quadrilha que refinava a cocaína em um sítio no distrito de Lerroville (zona sul). Lá, em julho de 95, a Polícia Federal apreendeu 170 quilos de cocaína, sendo 40 quilos em forma de pasta base. A droga e os produtos usados para o refino, como acetona e éter, estavam num laboratório improvisado dentro de um antigo barracão agrícola.
Juntamente com Dito Quati foram presos o seu filho Gilberto Jean Lopes Clausen, a esposa Sheila Lopes Clausen, a nora Lúcia Helena Bressani, o genro Francisco Aurélio da Silva, e o empregado Renato Mendes dos Santos. Todos foram condenados pelo Tribunal de Alçada a penas que variam de 12 anos de prisão, para Dito Quati, a seis anos de prisão para Lúcia Helena Bressani. Eles foram condenados por formação de quadrilha e enquadrados na Lei de Tóxicos por refino e tráfico de substância entorpecente.
Outro caso recente de apreensão de cocaína aconteceu em agosto do ano passado. O fazendeiro Maurílio Favoreto, 48 anos, de Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina) foi preso em flagrante com 70 quilos de cocaína na cidade de Nantes (SP). Ele estava acompanhado do boliviano Corkke Luiz Méyer Duran, 28 anos, o agricultor Rangel Antônio Vieira, 37 anos e Osni Filiage, 35 anos. A prisão foi feita por agentes da Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil de São Paulo (Denarc). A droga seria distribuída na região de Londrina.
Integrante de uma família tradicional no Norte do Paraná, ligada à agricultura, a prisão de Maurílio Favoreto causou surpresa. Os amigos dele, em Sertanópolis e Londrina, diziam que estavam chocados pois, segundo eles, Maurílio estava acima de qualquer suspeita. Por medida de segurança, todos os detidos foram levados para a cadeia de Presidente Prudente, onde o fazendeiro ainda permanece.
O ex-prefeito de Guaraci, José Morandi e o filho José Marcelo Morandi foram presos, em outubro do ano passado, com 91,8 quilos de cocaína e 112 quilos de crack. Detidos na cadeia de Cornélio Procópio foram soltos por determinação judicial e respondem ao processo em liberdade.Arquivo FolhaJosé Morandi e o filho José Marcelo foram presos com 91,8 quilos de cocaína e 112 quilos de crackDa Redação

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