Curitiba - Aproximadamente 1,6 milhão de brasileiros sofrem de epilepsia, o que corresponde a 1% da população total do País. Segundo o neurologista, diretor do centro de neurociências da Organização Mundial da Saúde (OMS) e professor da Universidade de Londres, Ley Sander, que esteve em Curitiba, surgem anualmente no Brasil cerca de 160 mil novos casos de epilepsia. No entanto, cerca de 80% dos doentes, se tratados e medicados adequadamente, podem controlar as crises e até obter a cura, considerada até então impossível.
Um dos problemas apontados pelo neurologista como empecilhos na luta contra a diminuição da incidência de epilepsia é o tratamento isolado e, às vezes, inadequado que é dado ao doente, bem como a estigmatização da doença. ''Na África, por exemplo, a epilepsia é considerada um problema espiritual, o que dificulta o tratamento e a consequente diminuição do número de casos.'' Segundo Sander, que veio ao Estado a convite do Conselho Regional de Medicina para falar sobre a forma de tratar a epilepsia, a alteração costuma ser tratada numa especialidade clínica específica, portanto distante do contexto familiar e comunitário. De acordo com Sander, o ministro da Saúde, Humberto Costa, já oficializou o interesse em incorporar a a epilepsia nos serviços de atenção básica.
O neurologista diz que a epilepsia não é uma doença, mas sim um sintoma ocasionado por transtornos na massa cerebral. As crises podem ser caraterizadas por diversos tipos de manifestações, que vão desde convulsões a crises de ausência e confusões mentais. Os tipos de crise variam de acordo com a região do cérebro afetada, onde a lesão se inicia e para onde se propaga.
A maior incidência da epilepsia ocorre em crianças com menos de um ano de vida e em pessoas com mais de 60 anos, embora possa afetar pessoas de outras faixas etárias dependendo da exposição destas a fotores externos causadores da doença, como traumas cranianos, infarto ou derrames cerebrais, doenças infecciosas e doenças que causam infecções cerebrais, como a meningite.
A epilepsia pode ser evitada. O uso de capacetes, por exemplo, evita um possível trauma craniano, que pode ocasionar crises da doença. A vacinação e os cuidados com saneamento básico também podem evitar a incidência da epilepsia, uma vez que evitam o acometimento por doenças como a meningite e doenças infecciosas.

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