Epidemia de sarampo chega a seis estados
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quinta-feira, 04 de setembro de 1997
Agência Estado Rio 
Seis estados - São Paulo, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Distrito Federal - apresentam um quadro claro de epidemia de sarampo, segundo a sanitarista Marília Bulhões, da Fundação Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde. O maior número de casos registrados foi em São Paulo, que sozinho responde por 71,7% dos casos notificados e a 77,1% dos confirmados laboratorialmente. São Paulo foi o grande exportador de sarampo nas férias de julho, disse a médica Marília Bulhões.
De acordo com Marília, o número de ocorrências de sarampo em São Paulo vinha aumentando desde dezembro e explodiu em julho, justamente por causa do período de férias, quando muitas pessoas contaminadas deixaram o estado. Houve até exportação para os Estados Unidos, com um passageiro contaminado. Para Marília, hoje não há como afirmar que a epidemia em São Paulo esteja mais centrada na capital ou no interior. A doença se espalhou.
Quando esteve no Rio, na semana passada, o ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, disse que São Paulo era o único Estado com início de epidemia de sarampo, porque as autoridades não seguiram recomendação do ministério e da Organização Panamericana de Saúde (Opas). Segundo Albuquerque, além da vacinação convencional, era recomendada a perifocal, em crianças e adultos que tiveram contato com pessoas contaminadas pelo sarampo.
Embora os números apontem para epidemias nos seis estados, Marília acredita que ela possa estar acontecendo em outros. Em muitos lugares, disse, a vigilância epidemiológica é frágil e por isso os números não corresponderiam à realidade, uma vez que nem todos os casos estariam sendo notificados.
A sanitarista acredita que as secretarias estaduais de saúde têm de traçar suas estratégias de combate fazendo uma vacinação em massa contra o sarampo e não mais os bloqueios.


