Belém, 14 (AE) - Cerca de 80% da população de Anajás, um município de 18 mil habitantes no arquipélago do Marajó, norte do Pará, está contaminada com malária e, pelo menos cem pessoas já teriam morrido em consequência da doença, segundo o prefeito Raimundo Nogueira Filho (PFL). O prefeito antecipou que pretende decretar estado de calamidade pública no município ainda esta semana. "A porta da prefeitura está sempre lotada de gente doente. Não sei mais o que fazer. A malária está fora de controle no município", afirmou. Os casos começaram a ser registrados em janeiro.
De acordo com Nogueira Filho, o único hospital de Anajás está superlotado. Hoje, duas mulheres em estado grave foram levadas em um avião fretado para Belém. O prefeito acusa a Secretaria Executiva de Saúde Pública (Sespa) de só distribuir remédios à população, deixando de fazer o trabalho preventivo, como a borrifação de residências com produtos contra o transmissor da doença. O coordenador do Núcleo Estadual de Endemias da Sespa, Amiraldo Pinheiro, no entanto, afirma que o problema é mais econômico-social do que de saúde pública.
"A retirada de palmito em regiões de difícil acesso é a grande responsável pela epidemia de malária no município", garante. A Fundação Nacional de Saúde (FNS) e a Sespa informaram que cinco lanchas, com equipamentos para exames, medicamentos, produtos para borrifar e várias equipes de agentes comunitários estão atuando no município. "Vamos intensificar o trabalho para ver se a malária começa a cair", disse Pinheiro.

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