Imunização contra o vírus, que causa vários tipos de câncer, está disponível no SUS desde 2014
Imunização contra o vírus, que causa vários tipos de câncer, está disponível no SUS desde 2014 | Foto: Manuella Brandolff/Palácio Piratini



São Paulo - Um micro-organismo dezenas de milhares de vezes menor do que um grão de areia está no cerne de um dos grandes desafios da saúde no Brasil. As infecções pelo HPV (sigla em inglês para papilomavírus humano) são as mais comuns das doenças sexualmente transmissíveis. Oito em cada dez mulheres e homens já entraram ou entrarão em contato com o vírus. São 10 milhões de infectados no País, 600 milhões no mundo.

Na maioria dos casos, o organismo consegue se livrar do vírus naturalmente. Quando ele persiste, no entanto, torna-se um perigo. A consequência mais nefasta da contaminação pelo HPV é o câncer de colo de útero, a terceira neoplasia mais frequente e a quarta causa de morte por câncer entre as brasileiras. Ao longo de 2016, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 16.340 mulheres devem receber o diagnóstico da doença e 5.430, morrer por causa dela no País.

Essa, no entanto, está longe de ser a única ameaça do HPV. Ao lado do cigarro, o micro-organismo é o principal fator de risco para tumores malignos em geral. O HPV está associado também ao câncer de ânus, orofaringe, vagina, vulva e pênis. Há pelo menos 150 tipos de HPV. Quarenta deles estão concentrados na região genital.

Altamente contagioso, o vírus se dissemina pelo contato com uma lesão (a menor que seja, imperceptível até) na pele ou mucosa. A infecção pode, portanto, acontecer pelo toque genital-genital, oral-genital e até manual-genital - ou seja, sem a ocorrência de penetração. Para se ter uma ideia, metade das mulheres é infectada antes mesmo da primeira relação sexual.

Se o sistema imunológico não debelar o vírus por conta própria, a contaminação pelo HPV apresenta basicamente três manifestações. A forma clínica é caracterizada pelo aparecimento do condiloma acuminado (do latim "condyloma", tumor duro, e "acuminare", tornar pontiagudo). Facilmente identificada, a verruga genital é a ocorrência mais típica do HPV, conhecida também como crista de galo, figueira ou cavalo de crista. Seu risco de transmissão gira em torno de 65%.

A manifestação subclínica é marcada pela ocorrência das chamadas verrugas planas, lesões não visíveis a olho nu e encontradas apenas sob as lentes de um colposcópio, aparelho capaz de aumentar em até 40 vezes o poder de visão do médico. A probabilidade de transmissão é de 25%. Há ainda a forma latente, na qual, o vírus fica "adormecido", sem causar danos. Nesse caso, a infecção não é transmissível e só pode ser detectada mediante a análise da presença de DNA viral.

De todas as versões do HPV, duas (6 e 11) estão associadas a 90% dos casos de verrugas genitais. Outras duas (16 e 18) respondem por 70% das ocorrências de câncer de colo de útero (ou cervical). Essas duas últimas estão também presentes nos tumores malignos de ânus, vagina, vulva, orofaringe e pênis.

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