Epidemia de gripe aviária pode matar 25 mil, estimam técnicos
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quinta-feira, 17 de novembro de 2005
Agência Estado 
Rio - Uma eventual epidemia de gripe aviária no Brasil, atingindo 10% da população deve causar a morte de 25 mil pessoas, além de ser responsável por uma sobrecarga no sistema de saúde, com o acréscimo de 1 milhão e 200 mil consultas e 550 mil internações. As estimativas, divulgadas ontem pelo ministro da Saúde, Saraiva Felipe, integram um cenário feito em conjunto com técnicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e baseado em modelos matemáticos.
Diante de uma epidemia, apenas 50% dos infectados vão precisar de atendimento médico, pois a outra metade não deve apresentar qualquer sintoma ou eles serão semelhantes aos de uma gripe comum, sem gravidade. Entre os que vão necessitar de atendimento, 25% poderão ser tratados em ambulatórios, e o restante deve ser caso de internação.
O ministro admitiu a incapacidade da rede de saúde nacional para lidar com a disseminação da doença entre humanos, mas destacou que o problema extrapola as fronteiras nacionais. ''Estamos preparados como todos os hospitais do mundo. Todos eles vão passar aperto'', disse, durante o lançamento do Plano de Contingência do Brasil para o Enfrentamento de uma Pandemia de Influenza, no Hotel Glória, no Rio.
O plano, esclarece Felipe, ''não é um documento fechado'', apenas uma proposta que deverá receber contribuições durante seminário internacional sobre a pandemia, aberto ontem. Entre as medidas em andamento estão a ampliação da rede de unidades sentinelas, onde é possível fazer um diagnóstico rápido de gripe aviária em uma eventual situação de surto, além da identificação das cepas do vírus. ''Temos hoje 46 unidades. Precisamos ampliar a rede para todo o Brasil, pois falta implantá-la em cinco Estados.''
As ações para controlar a doença no País prevêem ainda a elaboração de campanhas educativas, capacitação de profissionais e a formação de um estoque do antiviral Tamiflu. ''O Brasil é o único País da América Latina que vai ter estoque do medicamento até dezembro'', informou o ministro.


