Imagem ilustrativa da imagem Epidemia de dengue no Paraná é a pior da história
| Foto: Celso Pacheco/27-2-2014
Eliminação dos criadouros do Aedes aegypti é a forma mais indicada para evitar novos casos de dengue



Curitiba - O Paraná teve entre agosto de 2015 e a segunda semana de julho deste ano os piores 12 meses de sua história no que se refere ao número de pessoas infectadas pela dengue, com 55.260 confirmações da doença. Com a atualização trazida pelo boletim divulgado nesta terça-feira (19) pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), foram acrescidas 654 novas confirmações, sendo 51.583 autóctones (adquiridas no Estado) e 3.677 importadas. O número de mortes por conta da dengue passou de 60 para 61, sendo o caso mais recente aconteceu em abril e a vítima foi um homem que tinha a saúde fragilizada por doença crônica (comorbidade) e residia em Bela Vista do Paraíso, distante 41 quilômetros de Londrina.
"É a nossa maior epidemia de dengue no Paraná até o momento. Nossos números refletem a situação nacional, pois o Brasil concentra 60% das pessoas que ficaram doentes de dengue entre todas as Américas e, até por isso, lidera o ranking mundial dentre os países com maior quantidade de pessoas infectadas", reconheceu a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, Cleide Aparecida de Oliveira.
No caso do Paraná, esse recorde supera tanto os dados a partir de 2001, quando a doença passou a ser monitorada, quanto os registros de 2009 em diante, ano em que a Sesa adotou a metodologia vigente para acompanhar a dengue. "A atual metodologia não deixa escapar praticamente nenhum caso e isso é comprovado na proporção entre notificações registradas, que somaram 144.936 nesse boletim, e as confirmações. A cada três ou quatro notificações, uma confirma. Isso mostra que o acompanhamento é intenso na maioria das cidades", explicou.
Esse procedimento de notificar a Sesa a cada suspeita também justifica a revisão dos números da chikungunya e da zika. O novo boletim atualizou para 71 os casos de chikungunya, contra 72 no boletim anterior. "Os casos suspeitos são notificados, mas se o exame não confirma, naturalmente descartamos, por isso essas revisões." Já o número de casos de chikungunya subiu de 320 para 321, com a confirmação de um novo caso em Maringá.

CONTA
Todo esse volume de pessoas infectadas pela dengue tem um grande impacto na economia do Estado e do País. "Mais de 700 doentes no Paraná tiveram agravamento da doença e precisaram, em média, ficar 15 dias afastados das atividades laborais. Um estudo sobre o custo da doença no trabalho revelou que cada doente de dengue somou entre exames, tratamento e afastamento cerca de US$ 1,5 mil. Uma conta dividida entre empregadores e poder público, ou seja, toda a sociedade acaba pagando por algo que poderia ser evitado", ressaltou Cleide. Já o número de municípios que enfrentam epidemia de dengue subiu para 87 depois que Nova Esperança do Sudoeste e Céu Azul superaram a marca de 300 ou mais casos por 100 mil habitantes. "Se esses números não fossem cumulativos, pelo total das últimas cinco semanas, não teríamos mais nenhum município em epidemia", ponderou.

RISCO CLIMÁTICO
O Mapa de Risco Climático do boletim da dengue novamente apresentou dez estações com risco baixo para desenvolvimento de focos e dispersão do mosquito, incluindo a de Londrina, e oito sem risco. "Chuva e sol aumentam o risco de multiplicação do mosquito, mas se cada cidadão abraçar o dever de eliminar os criadouros estará contribuindo para evitar mortes e sofrimento", destacou Cleide Oliveira.

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