Os programas de prevenção à Aids no Brasil conseguiram re duzir a incidên cia da doença de 12,2 casos por 100 mil habitan tes para 9 por 100 mil entre 1999 e o ano passado, mas, por outro lado, o Ministério da Sa© úde está preocupado com o fenômeno da ''feminilização'' da epidemia.

O número de mulheres contaminadas pelo HIV, vírus causador da Aids, vem aumentando ano a ano. Em 1991, o número de mulheres com a doença e as que morriam por causa da Aids representava 17% do total notificado. Hoje, tanto os casos como as mortes já são um terço do total.

Por isso o governo pretende reverter o crescimento da doença entre as mulheres com uma campanha dirigida à diversidade sexual masculina, que será veiculada a partir de quarta-feira. ''O homem é o maior veículo de transmissão para as mulheres'', afirmou Paulo Teixeira, coordenador do DST/Aids, programa de combate às doenças sexualmente transmissíveis e à Aids, do Ministério da Saúde.

As mortes por Aids estão diminuindo. No ano passado, foram 3.425 mortes relacionadas à doença. Em 1998 e 1999, foram 7.493 e 5.362, respectivamente. Os dados foram divulgados ontem em evento para lembrar o Dia Mundial de Combate à Aids, comemorado hoje.

O ministério já identificou quatro municípios onde o número de mulheres com Aids é sete vezes maior que o de homens. Os nomes das cidades não serão divulgados. Em outros 155 municípios, as mulheres já são a maioria dos contaminados pelo vírus. A média nacional é de dois homens com Aids para cada mulher com a doença.

No Paraná, os casos continuam crescendo a cada ano. De 1984 até hoje, foram 9.366 notificações pela Coordenação Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde. O maior número de doentes está em Curitiba (4.995), seguido de Londrina, que no mesmo período registrou 1.018 casos, e de Maringá que tem 572 infectados.

Um dado mais alarmante da Aids no Paraná, segundo a consultora técnica da Coordenação Estadual de DST/Aids, Andréia Maura Frey de Lira, é o crescente número de mulheres que vem manifestando a doença. Enquanto no início da década de 80 a proporção era de uma mulher infectada para cada 16 homens, hoje, a incidência é de um caso feminino para dois masculinos. ''Isso reflete num maior cuidado com a transmissão vertical, já que a mãe pode passar o vírus durante a gestação ou no momento do parto'', destacou.

O Núcleo de Prevenção da Aids da Universidade Federal do Paraná decidiu antecipar as atividades do Dia Mundial de Luta contra Aids e montou, ontem, nas escadarias do prédio da UFPR uma instalação (formando o laço que simboliza a campanha de combate à doença) com 353 rosas vermelhas. Cada flor representa um dos novos casos de Aids descobertos em Curitiba neste ano. Segundo a UFPR, foram 136 mulheres e 217 homens, entre eles, 16 crianças com menos de 13 anos. (Com Andréa Lombardo, de Curitiba)

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