Alvorada do Sul – Dos 63 municípios que enfrentam epidemia de dengue no Paraná, três estão na área de abrangência da 17ª Regional de Saúde. O boletim epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) aponta alto índice de contaminação nas cidades de Primeiro de Maio, Porecatu e Alvorada do Sul, esta incluída no relatório desta semana.
Alvorada do Sul tem apenas 10,2 mil habitantes, 79 deles tiveram casos positivos de dengue e outras 638 pessoas estão com suspeita da doença.
E os casos não param de crescer. Três pessoas tomavam soro fisiológico ontem à tarde no Pronto Atendimento Municipal. "Estou com muita dor de cabeça, fraqueza e dor nas juntas. Nunca tinha sentido nada igual", descreveu a professora Adriana Simões Avanço.
A Secretaria Municipal de Saúde registrou clinicamente dois casos de dengue hemorrágica na cidade. Como o hospital do município carece de estrutura, uma paciente de 31 anos teve que ser transferida para Londrina, onde segue internada sem risco no Hospital Evangélico. A outra se recupera bem e descansa em casa.
A manicure Débora Rocha atendeu a reportagem da FOLHA na varanda de casa. Ela, que também sofre de um grave problema cardíaco, ficou três dias internada no Hospital São Rafael, em Rolândia. "Foi horrível. Comecei a sentir fortes dores no corpo e na sequência começaram os sangramentos. Chegava a vomitar sangue, pensei que fosse morrer", contou.
Débora recebeu alta hospitalar há três semanas, mas continua recebendo cuidados especiais. De dois em dois dias visita um posto de saúde municipal e passa por avaliação médica.
Ela mudou muitos hábitos depois de contrair a doença. "Estou com muito medo. Uso repelente o tempo todo e deixo inseticida 24 horas na tomada", contou. O irmão dela, a cunhada e a filha também contraíram a doença.
O secretário municipal de Saúde, Celso Routulo, diz que o crescimento vertiginoso dos casos obrigou o município a adotar uma série de medidas de combate ao avanço do mosquito transmissor da dengue. "Realizamos um arrastão na última semana, que contou com a participação de todos os servidores do município, realizamos bloqueio em todos os 204 quarteirões da cidade e pretendemos promover a mesma ação segunda-feira. A intenção é fazer a remoção mecânica do lixo, em paralelo promover a busca ativa dos criadouros e bloqueio das áreas críticas com máquinas costais", explicou.
Routulo admitiu que falta de mão de obra - 20 pessoas estão sendo contratadas emergencialmente para ajudar no trabalho de campo. Outra medida adiantada é a mudança da lei para multar proprietários de imóveis onde forem encontrados criadouros do mosquito – a grande maioria dos focos está em quintais.
Em Porecatu, cidade com pouco mais de 15 mil habitantes, a reclamação também recai sobre a falta de conscientização do povo. A Secretaria de Saúde registrou 109 casos positivos da doença e outros 400 casos estão sob investigação. "A população não está cooperando, já realizamos arrastões, palestras, passeata, distribuição de panfletos e não resolve", lamentou a secretária Solange Cristina de Souza Delfino.

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