EPIDEMIA - Suspeita assusta moradores de Cascavel
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Cascavel - A suspeita de que o primeiro caso de ebola confirmado no Brasil tenha ocorrido em Cascavel assustou a população da cidade. Teve quem tomasse até medidas extremas. "Uma cliente minha aqui da região me ligou dizendo que não viria para cá hoje (ontem) com medo do vírus. Algumas colegas do trabalho não levaram os filhos para a escola pelo mesmo motivo", contou a promotora de vendas Andreia Laufer, de 27 anos, preocupada sim, mas na torcida para que a suspeita não passe de suspeita mesmo. "Assusta um pouco, mas eu espero que tenha sido apenas uma febre", disse.
A vendedora Loana Cristina Tessaro, de 18 anos, trabalha em uma loja no calçadão de Cascavel. Disse que o assunto ebola dominou as conversas entre as colegas na hora do almoço. Para ela, o que mais preocupa na suspeita do paciente africano é que ele foi internado numa unidade de pronto atendimento, onde o movimento costuma ser grande. Loana lamentou também a maré de azar que tem levado Cascavel a ser notícia ruim no Brasil inteiro neste ano. "Teve o tigre que arrancou o braço do menino no zoológico, a rebelião na Penitenciária e agora o ebola. São coisas que preocupam né, parece que é azar", comentou.
USUÁRIOS
O receio dos usuários da Unidade de Pronto Atendimento Brasília, onde o paciente africano foi internado na última quinta-feira, ficou evidente ontem, depois que a unidade foi reaberta ao público, por volta das 13 horas. O movimento, segundo os funcionários, ficou bem abaixo do normal durante a tarde. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) a média de atendimentos por lá é de 150 a 200 por dia. Moradora na região, a cuidadora de idosos Maria Aparecida Gomes da Silva, de 49 anos, estava aguardando ser atendida na sala de espera por volta das 16h40, quando a FOLHA chegou à UPA. Com dores no estômago, ela não parecia preocupada com a suspeita de ebola na unidade. "Quem tem Deus no coração não tem medo", disse. O que ela queria mesmo era ser atendida logo. "Aqui demora um pouco."
Outra usuária da UPA Brasília, a dona de casa Lindaura Bolanho, de 57 anos, contou que dessa vez foi para lá levar uma vizinha com infecção na garganta. "Imagina se não assusta saber que pode ter uma contaminação aqui, a gente fica com medo de que a doença se espalhe", comentou ela. "Mas o atendimento aqui sempre foi muito bom", garantiu.


