Enxurrada arrasta carro em Curitiba
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sexta-feira, 16 de março de 2007
Andréa Lombardo e Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Um carro com três ocupantes, que trafegava sobre uma ponte no bairro Fazendinha, em Curitiba, foi arrastado pela enxurrada, na noite de quinta-feira, para dentro de um córrego. Um motociclista que viu o acidente conseguiu ajudar apenas o motorista, Tomide Suguy, 77 anos, a sair do veículo. Sua mulher, Marta Maria Suguy, 69 anos, e o pedreiro João Carlos de Lima, 36 anos, foram arrastados pela correnteza. Marta continuava desaparecida até o início da noite de ontem. O Corpo de Bombeiros fez buscas em todo o percurso do Córrego Formosa.
De acordo com o relações públicas do Corpo de Bombeiros, Tenente Leonardo Mendes dos Santos, o corpo do pedreiro João de Lima foi encontrado ontem por volta das 14h30 no Rio Barigui, 10 a 12 quilômetros do local onde caiu o carro. Segundo ele, as buscas realizadas pelos bombeiros encerraram ontem às 18h30 pela falta de visibilidade com o início da noite e recomeçariam hoje às 7 horas.
De acordo com o chefe da Divisão de Defesa Civil da Casa Militar, capitão Maurício Genero, a chuva intensa, que durou cerca de duas horas, causou estragos em Curitiba e região metropolitana, principalmente, São José dos Pinhais. Foram registrados mais de 150 chamados e cerca de 80 pontos de alagamento. A Defesa Civil Municipal atendeu 245 ocorrências. Na Capital, os bairros mais atingidos foram Hauer, Boqueirão, Xaxim, Cidade Industrial e Fazendinha. Córregos da região transbordaram, alagando ruas, casas e estabelecimentos comerciais.
De acordo com dados do Instituto Tecnológico Simepar, na quinta-feira choveu de 50 milímetros a 80 milímetros, dependendo do local da cidade. O meteorologista Reinaldo Kneib, disse que a média de chuvas em março é de 145 mm para o mês todo. Segundo ele, não estão previstos temporais para este fim de semana.
Os alagamentos geraram revolta entre os moradores da Vila Osternack, no Boqueirão. Eles tomaram dois ônibus da Auto Viação Nossa Senhora do Carmo para bloquear o trânsito na Rua Eduardo Pinto da Rocha. A manifestação acabou em quebra-quebra.
Segundo o supervisor de Tráfego da empresa de ônibus, Jorge Luiz Marszaleck, os dois carros foram depredados e saqueados. Os manifestantes chegaram a atear fogo no interior de um dos veículos, mas como o Corpo de Bombeiros já havia sido acionado, o incêndio foi controlado rapidamente. A empresa ainda não tinha levantamento do prejuízo até o final da tarde de ontem. A companhia tem uma frota de quase 200 carros e opera 36 linhas de ônibus em Curitiba.
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), cancelou sua agenda de ontem para acompanhar o trabalho de recuperação dos estragos e de assistência às famílias que tiveram as casas alagadas. ''Estamos trabalhando para atender a esta situação de urgência, ao mesmo tempo em que temos obras em toda a cidade para evitar a ocorrência de enchentes'', afirmou Richa, em nota distribuída pela agência de notícias da prefeitura.


