Envolvimento de deputado é denunciado desde 96
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 23 (AE) - O envolvimento do deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC) com o esquadrão da morte no Acre vêm sendo denunciado desde 1996 pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) daquele Estado, Gersino José da Silva Filho. O próprio desembargador vêm sofrendo ameaças de morte por parte do deputado pefelista. Num recente telefonema de Pascoal gravado pela Polícia Federal (PF), o deputado afirma: "Só tem um jeito: é eu matar Gersino no meio da rua; deixa esfriar mais um pouco; quando der, eu vou matar esse cara no meio da rua."
No relatório preparado pela Subcomissão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Acre e entregue pelo Ministro da Justiça, Renan Calheiros, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Pascoal aparece em posição de destaque no comando do suposto esquadrão, que seria integrado por policiais civis e militares. No Acre, 101 inquéritos de assassinato foram arquivados nos últimos anos porque não se chegou a nenhuma conclusão. Segundo o relatório, a maior parte dos crimes tem características semelhantes: decepamento de membros e cabeças das vítimas.
Coronel da PM e ex-deputado estadual, Pascoal tem fama no Acre de ser violento. Mas lá, são poucos que tem a coragem de o denunciar. "O esquadrão da morte no Acre é um grupo ligado com ramificações políticas e o narcotráfico", denuncia o procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza. "Há provas cabais da participação do deputado Hildebrando nesse grupo em posição de relevo", completa Souza, lembrando que essa situação no Acre só será resolvida quando a PF resolver fazer no Estado uma operação semelhante à de Alagoas, quando enviou um grande efetivo de agentes e delegados.
A própria PF está encontrando dificuldade na convivência com Pascal. Recentemente, na véspera das eleições, em 3 de outubro, uma equipe de agentes federais foi cercada por "capangas" do deputado, em Rio Branco. Os policiais só não foram chacinados porque resolveram não reagir.
Naquele dia, eles foram até a casa de Pascoal para cumprir um mandato de busca e apreensão da Justiça Eleitoral. Segundo inquérito da PF, "a todo instante, Hildebrando Pascoal e seus capangas ameaçavam atirar." No incidente, o deputado gritava que iria matar ou morrer e que "aquilo era coisa daqueles canalhas do Judiciário", referindo-se ao desembargador Gersino José da Silva Filho.
No relatório entregue na Câmara, com mais de 600 páginas e fotos chocantes de corpos desfigurados e mutilados, o nome de Pascoal surge na época em que um dos irmãos dele, o então vereador Itamar Pascoal, foi a assassinado em 1996. Um dos suspeitos do crime, José Hugo Alves Junior, foi encontrado morto
no sertão da Bahia.
O corpo só foi reconhecido por causa de um relógio. Um detalhe: Alves Júnior havia sido preso no Piauí e estava em poder da polícia acreana.
Na mesma época, foi assassinado outro suspeito. Agilson Santos Firmino apareceu morto em frente de uma emissora de TV, em Rio Branco.
O corpo dele estava decepado e os olhos, vazados. Logo depois, o corpo do filho de Agilson, Wilder Oliveira Firmino, de 15 anos, também foi encontrado morto, com queimaduras e marcas de tortura. A vingança é o principal motivo atribuído para esses crimes, descritos no relatório feito pela Subcomissão de Direitos Humanos, juntamente com a PF, a Procuradoria da República, o Ministério Público (MP) do Acre e o TJ


