RIO - Os militares e os civis citados no relatório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como responsáveis pelos atentados à bomba da OAB-RJ e à Câmara de Vereadores do Rio em 1980 são os mesmos acusados de dez anos antes terem torturado e assassinado o militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) Mário Alves de Souza Vieira. De acordo com o relatório, os terroristas teriam feito os atentados para intimidar as pessoas interessadas em esclarecer a morte de Mário Alves.
Mário Alves foi o primeiro preso político a morrer no DOI-Codi da Polícia do Exército. Ele foi preso, torturado e morto em 17 de janeiro de 1970. Segundo ex-integrantes do PCBR, todos os suspeitos de terem feito os atentados à bomba no Rio estavam no DOI-Codi quando o dirigente comunista foi torturado e assassinado. Ele foi até empalado com um cassetete.
‘‘São as mesmas pessoas’’, assegura o escritor e jornalista Álvaro Caldas, autor do livro ‘‘Tirando o Capuz’’, em que relaciona os torturadores. Dirigente regional do PCBR no Rio, Caldas foi preso e torturado em fevereiro de 1970. Dos 14 suspeitos dos atentados, apenas dois - o coronel Alcione Portela e o tenente Jair - não constam do livro.
Caldas lembra que, em 1981, quando se preparava para lançar seu livro no Rio, recebeu, por telefone, uma ameaça de que no local (Leblon) se explodiria uma bomba. Ele já citava em sua obra, como torturadores, os nomes do tenente-coronel Duque Estrada, do capitão Garcia Carneiro, do tenente Dulene Aleixo Garcez, do coronel Alberto Fontenelle, do major Demiurgo, dos tenentes Jorge Correia Lima, Magalhães, do agente Teobaldo, do Dops, do segurança da Câmara de Vereadores Timóteo Luiz de Lima e do coronel Armando Avólio Filho. Todos são citados no relatório como mandantes dos atentados.

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