Curitiba - O advogado Michel Saliba Oliveira, presidente da sub-seção de Curitiba e Região Metropolitana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) negou seu envolvimento nas fraudes contra a Petrobras e Eletrobrás. ''Eu estava dentro da prorrogativa do meu exercício profissional, exercendo a advocacia. Esse é um ato absolutamente arbitrário de busca, apreensão e de prisão'', disse, antes de entrar na Polícia Federal, escoltado por policiais.
O advogado René Ariel Dotti, responsável por sua defesa, também cosiderou a ''prisão ilegal''. De acordo com ele, Saliba teria sido procurado pelo advogado pernambucano João Bosco de Souza Coutinho, que se apresentou como um cliente solicitando que propusesse uma ação de compensação de débito para créditos oriundos da Eletrobrás.
Saliba, no entanto, não teria aceito propor a ação, e encaminhou o caso a seu colega de escritório, José Lagana. Apesar de considerar o processo lícito, Lagana também não teria ingressado na Justiça. ''A ação nem foi proposta, o que significa que mesmo que ela visasse prejuízos ao Estado, ela não foi feita. Ou seja, não houve crime'', avaliou Dotti.
A Justiça Federal informou, em nota oficial, que as prisões preventivas foram decretadas ''para impedir a continuidade da atividade delitiva e o sucesso no empreendimento''.
Também por meio de nota oficial, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Paraná (OAB-PR), Manoel Antonio de Oliveira Franco, afirmou que a entidade ''não é e nem será corporativista''. ''Eventuais comprometimentos por parte de advogados e suas atuações que venham a caracterizar qualquer mácula à ética ou à disciplina profissionais, merecerão, a tempo, medidas enérgicas, apuração rigorosa e responsabilização dos infratores'', acrescenta a nota.
A Folha não conseguiu contato com os advogados dos demais envolvidos. No escritório de João Bosco de Souza Coutinho, em Recife, uma funcionária disse que ninguém poderia falar sobre o caso.
O Departamento de Comunicação da Eletrobrás informou que a empresa tem sido alvo de repetidas tentativas de fraude envolvendo títulos ao portador. Esclareceu que os papéis, relativos ao empréstimo compulsório de energia elétrica, foram emitidos pela empresa até 1977 e que o prazo máximo para resgate expirou em 2002, portanto, os títulos não têm mais qualquer valor financeiro. A Eletrobrás identificou mais de 70 ações de caráter fraudulento correndo na Justiça, num total aproximado de R$ 3 bilhões em demandas judiciais. A empresa informa, ainda, que, até o momento, nenhuma dessas ações judiciais obteve sucesso e, por conseguinte, a companhia não sofreu qualquer prejuízo.
A Petrobras não se manifestou sobre o caso. Já a assessoria do Banco do Brasil destacou que em nenhuma das tentativas de golpe, o dinheiro foi sacado.(M.G. e A.L.)

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