Envio de dinheiro da fronteira será rastreado
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2002
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Brasil, Paraguai e Argentina investigarão em conjunto com os Estados Unidos a origem e o destino dinheiro que passa pela tríplice fronteira e é enviado ao exterior. O objetivo é formar grupos de inteligência financeira para identificar possível financiamento de terroristas com base no Oriente Médio. A Argentina se ofereceu a coordenar os trabalhos.
A cooperação foi anunciada ontem como saldo da conversa entre autoridades dos três países e do Contraterrorismo do Departamento de Estado dos EUA, durante reunião do Comando Tripartite, em Puerto Iguazú, fronteira com Foz do Iguaçu. Criado em 1998, o comando investiga atividades ilegais na região. Os norte-americanos participaram como convidados.
A parceira foi divulgada após órgãos policiais e membros das três fronteiras garantirem à comitiva dos EUA que não há indícios concretos de presença de organizações terroristas ativas ou ''adormecidas'' na região. Apesar da inexistência de provas, os americanos consideraram ''a ameaça terrorista real, global e pode apresentar-se em qualquer lugar do mundo''.
Segundo agentes e diplomatas, pode haver algum tipo de risco de financiamento de organizações terroristas. Sem citar etnias, eles se referiam a comunidade árabe, composta por 12 mil imigrantes e descendentes.
Em entrevista coletiva, o coordenador para Contraterrorismo do Departamento de Estado, J. Cofer Black, apresentou uma postura diplomática ao falar dos três países. Depois de dizer que iria sugerir ao filho passar a lua-de-mel nas Cataratas do Iguaçu, o chefe da delegação norte-americana afirmou ter uma ''má notícia''.
''Nossa preocupação especial é quanto ao apoio financeiro ao terrorismo. Podemos colaborar na identificação (de operações ilegais)'', afirmou Black, frisando que espera ''ansioso'' por um intercâmbio de dados para ampliar a confiança recíproca e poder ''dissuadir os terroristas onde eles apareçam''.
A proposta é usar mecanismos administrativos e judiciais para alcançar o objetivo. Ficou estabelecido ainda a necessidade de dar atenção ao patrulhamento de rios (o Paraná e o Iguaçu separam o Brasil do Paraguai e da Argentina), aumentar o controle aduaneiro e de melhorar os recursos materiais.
A diplomacia da delegação estrangeira contraria a tese sustentada em quatro relatórios sobre a América Latina emitidos pelo Departamento de Estado desde o 11 de setembro. Os documentos citam a existência de provas da existência integrantes de organizações criminosas na fronteira.
O receio deles é alvo antigo de inquéritos no Brasil. A lavagem dinheiro em Foz é investigada desde 1998 pelo Ministério Público Federal, que identificou remessas ilegais ao exterior, mas diz nunca ter encontrado provas de que o dinheiro parou nas mãos de organismos extremistas.


