Moscou, 14 (AE-AP) - O Ministério do Exterior da Rússia condenou com irritação hoje (14)o ataque na vila kosovar de Korisa, que ele classificou de "um novo crime da aliança (Otan)".
A mídia iugoslava divulgou que aviões da Otan lançaram oito bombas de fragmentação num comboio de refugiados albaneses étnicos nesta sexta-feira, matando entre 50 e 100 civis. A Otan anunciou que estava investigando as notícias e que não podia ainda fazer comentários.
"A Rússia, que tem repetidamente advertido à liderança da Otan das duras consequências da ação militar contra a Iugoslávia
condena decisivamente o novo crime da aliança. Pedimos a todos os estrategistas da Otan para porem imediatamente um fim a esta loucura", afirmou o ministério num comunicado, segundo a agência de notícias Interfax.
Nele foi dito que mais de 1.200 civis já foram mortos na campanha aérea da Otan.
Enquanto isto, o assessor presidencial Sergei Prikhodko rumou hoje para a Índia para conversações sobre a crise de Kosovo, aparentemente como parte de um esforço de Moscou para engajar nações não-ocidentais nas negociações com a Otan e a Iugoslávia.
O assessor do presidente Boris Yeltsin deve se reunir com líderes indianos para trabalhar uma solução pacífica para o conflito na província iugoslava, anunciou a assessoria de imprensa da presidência. Não foram fornecidos outros detalhes da viagem.
Moscou tem buscado mediar uma solução política para o conflito. A Índia também tem criticado a Otan por ter usado a força sem a aprovação da ONU.
A Rússia, envergonhada com a diminuição de seu peso internacional desde o colapso da União Soviética em 1991, também está interessada em construir alianças com nações como China e Índia para contrapor o poder dos Estados Unidos.
O enviado especial de Yeltsin para Kosovo, Viktor Chernomyrdin
visitou a China no começo desta semana depois que a Otan bombardeou acidentalmente a embaixada chinesa em Belgrado.
Também hoje, o ministro da Defesa russo, Igor Sergeyev, disse que o país estava revendo sua doutrina militar a pedido de Yeltsin por causa das ações da Otan. Ele reiterou, entretanto, que a Rússia não tem planos de se envolver militarmente no conflito de Kosovo.
Já Chernomyrdin rechaçou hoje acusações de que a Rússia estaria sendo demasiadamente conciliatória nas negociações de Kosovo.
"Pelo contrário, estamos fortalecendo nossa posição", disse ele a repórteres na Câmara baixa do Parlamento russo. "Estamos (promovendo conversações) para persuadir aos líderes do Ocidente... que antes de tudo devem terminar todos os bombardeios.
Chernomyrdin pode voar para Belgrado nos próximos dias para mais consultas, informou seu escritório.
Chernomyrdin reuniu-se duas vezes esta semana com o subsecretário de Estado norte-americano, Strobe Talbott. Os dois disseram estar de acordo sobre o que fazer em Kosovo uma vez que a paz seja alcançada, mas ainda diferem sobre como parar a luta.
As negociações foram colocadas sob uma pressão extra depois que Yeltsin advertiu esta semana que a Rússia pode suspender seus esforços de mediação se suas propostas não forem levadas em consideração.
O primeiro-ministro em exercício Sergei Stepashin, nomeado esta semana por Yeltsin para substituir o demitido Yevgeny Primakov, afirmou a uma delegação parlamentar do Conselho da Europa que a Rússia sairá das negociações caso a Otan envie tropas terrestres para a Iugoslávia, divulgou a agência de notícias Itar-Tass.

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