Envelhecimento populacional é desafio ao País
O maior desafio do Brasil na área demográfica é o acelerado envelhecimento da população. Em 1970 a porcentagem de pessoas com mais de 65 anos no conjunto dos habitantes era de 3,7%. Hoje é de 5,1% e daqui a 50 anos, segundo as projeções apresentadas durante a Conferência Geral sobre População, em Salvador, estará próxima de 20%.
Esta mudança tem relação direta com declínio na taxa de fecundidade. Enquanto nos anos 60 as mulheres brasileiras tinham em média 5,8 filhos, agora têm 2,3 - e a taxa continua a cair. Ao comentar o fenômeno durante uma das conferências do encontro, o pesquisador Morvan de Mello Moreira, da Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, disse que essa transformação tão rápida não tem equivalente histórico em nenhum país desenvolvido.
A consequência mais evidente do fenômeno é o impacto sobre o sistema de previdência social. Se hoje o Brasil tem dificuldades para manter os inativos, daqui a 50 anos, com uma população de idosos quatro vezes maior em relação ao conjunto da população, o que acontecerá? Na opinião dos pesquisadores, o colapso será inevitável, a menos que surjam políticas públicas adequadas. E elas devem ser tomadas com urgência.
Ainda segundo Moreira, o Brasil dispõe no momento de um chamado bônus demográfico, que deve ser aproveitado. O bônus ao qual ele se refere é decorrente da queda da taxa de fecundidade, que reduziu o número de crianças na população e a necessidade de investimentos em cuidados com elas. Para se ter uma idéia do que isso significa, entre 1980 e 2000, 35 milhões de crianças deixaram de nascer no Brasil, porque os casais não querem ter a mesma quantidade de filhos que seus pais tiveram.
Os recursos deveriam ser redirecionados, procurando aprimorar a formação das crianças e dos jovens - e o atendimento aos idosos. ''Quem tem 18 anos hoje estará sustentando os mais velhos daqui a algum tempo'', diz o presidente da União Internacional para Estudos Científicos da População, José Alberto Magno de Carvalho.
A ampla reforma do sistema previdenciário também será inevitável, segundo o presidente da instituição que promove a conferência de Salvador. ''Ninguém, nem a oposição, ainda deu a devida importância a esse assunto, mas não há mais como evitá-lo. Só vamos deter o envelhecimento se obrigarmos cada mulher a ter dez filhos, em vez de dois, se importarmos jovens de outros países ou se matarmos os velhos. Como não pensamos em fazer nada disso, o melhor é enfrentar o desafio.'' (R.A.)





