Curitiba - Aproximadamente 7 milhões de correspondências e encomendas ficaram paradas nas agências dos Correios de todo o Paraná durante os 28 dias de greve, segundo os números divulgados ontem pela estatal no Estado. Em todo o País foram 184 milhões de objetos postais em atraso. De acordo com a assessoria dos Correios, o trabalho de entrega deve ser normalizado dentro de sete a 10 dias.
A empresa também informou que com os mutirões realizados nos finais de semana, que contaram com a realocação de profissionais de áreas administrativas e de negócios, cerca de 5 milhões de correspondências puderam ser entregues durante a paralisação. Durante este período, cerca de 2 mil pessoas participaram da separação e entregas.
Os trabalhadores dos Correios retornaram ao trabalho ontem, após o julgamento de dissídio coletivo realizado na última terça-feira. Os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) autorizaram a empresa a descontar no salário dos grevistas o equivalente a sete dias de paralisação, e os demais 21 dias de greve devem ser compensados com trabalho extra nos fins de semana. No caso de descumprimento da determinação, a multa diária estabelecida foi de R$ 50 mil.
Os Correios também afirmaram que os funcionários já foram convocados para trabalhar neste final de semana. Pelo acordo firmado pelo TST, será concedido reajuste de 6,81% retroativo aos vencimentos de agosto (mês da data-base). Já o ganho real ficou acertado em R$ 80 e passará a vigorar a partir do salário de outubro. Além do reajuste foi acordado o vale alimentação de R$ 25, vale-cesta de R$ 140 e um vale extra de R$ 575.
Categoria
O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) afirmou que a categoria não concordou com o TST, mas vai acatar a decisão. Luiz Antônio Ribeiro de Souza, secretário-geral da entidade, afirma que o resultado do julgamento não foi o esperado pela categoria, mas que a adesão à greve foi efetiva, chegando a 70% dos trabalhadores da área operacional. ''Para nós o resultado foi ruim, os funcionários sairam perdendo. O governo federal afirma que não pode conceder reajustes maiores para as categorias, mas e o aumento dos salários dos ministros, deputados?', questiona.
A última greve dos Correios ocorreu em 2009, e durou 12 dias. A maior greve foi em 1994, quando os trabalhadores ficaram parados por 32 dias, e a questão também foi decidida pelo TST.
Mesmo com a forte chuva na tarde de ontem, parte dos funcionários dos Correios protestaram com faixas no Parque Barigui, em Curitiba, durante a visita da presidente Dilma Roussef para anunciar recursos para a construção do metrô. Os manifestantes também pediram a saída de Paulo Bernardo, ministro das Comunicações.

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