Entre tiros, trabalho e fé
Tarde de 2004. A irmã Maria Aparecida Scatolin dirigia a Toyota da congregação na deserta Avenida Nacional 1. O sol já baixo não permitia que dois bandidos ligados às gangues que dominavam a região enxergassem quem estava no carro. Como de costume, foram para o meio da avenida, apontaram seus fuzis em direção a Maria Aparecida e, prestes a sequestrar mais um desavisado reconheceram as freiras que atuavam em Cité Soleil, a maior favela do Haiti.
''Desci do carro e chamei a atenção deles. Falei do mal que estavam causando ao povo haitiano. A gente os conhecia. Sempre falávamos para eles deixarem esta vida, que iria acabar conduzindo-os a morte. Não tínhamos medo.''
Nascida num distrito de Astorga (Norte do Estado), a missionária está há treze anos no Haiti. ''Acredito no futuro do Haiti. É um povo muito sofrido mas que tem uma resistência e uma coragem que só por eles não seria possível.''
Trabalhou por dez anos na favela de Cité Soleil, sempre considerado o local mais tenso e perigoso do Haiti. ''Em 2004 somente a nossa Toyota e os médicos sem fronteira podiam entrar,'', relata Scatolin. A violência, no entanto, não impediu as irmãs de construírem um centro de saúde, um centro de recuperação nutricional e uma pré-escola na região. Hoje ela coordena obras de caridade em La Pleine, na grande Porto Príncipe. A irmã Aparecida deu seus primeiros passos no trabalho de assistência em Curitiba, na Casa dos Pobres Albergue São João Batista. (S.R.)





