Um levantamento obtido pela FOLHA pela Lei de Acesso à Informação com a Secretaria Municipal de Assistência Social mostra que os argentinos são a população estrangeira mais atendida no Centro POP (Centro de Referência Especializado para População de Rua) entre aqueles que vieram de fora do Brasil e, atualmente, vivem na ruas de Londrina. O balanço compreende os anos de 2016 até novembro de 2019.

Segundo as estatísticas, foram 15 argentinos contemplados pelo serviço assistencial. Em segundo lugar, aparecem os paraguaios (sete pessoas), colombianos (seis), venezuelanos (seis), portugueses (quatro), uruguaios (três), peruanos (dois), haitianos (um), chilenos (um) e equatorianos (um). "Quem vem de fora do país é atendido da mesma forma que os brasileiros. A única diferença é com relação aos documentos, que, caso não tenham, providenciamos, em parceria com a Cáritas Arquidiocesana. Todos os papéis de identificação junto à Polícia Federal", explicou a diretora de Proteção Social Especial da pasta, Josiani Severino dos Santos Nogueira.

Para ela, Londrina é procurada por diversos motivos. "O município é grande, tem uma oferta de empregos e uma estrutura boa de serviços. As pessoas têm referências na cidade. Chegam também aqui em busca de oportunidades momentâneas de trabalho. Como principais funções, a política de assistência visa estreitar os laços familiares e comunitários, dar uma segurança de sobrevivência e acolhimento. Os encaminhamentos são feitos de acordo com cada necessidade individual, seja saúde, educação e outros", comentou.

Nogueira esclareceu que, quando os estrangeiros querem voltar para o país de origem, a Secretaria de Assistência Social não compra passagens internacionais. "Nesses casos, articulamos com as pessoas que eles conhecem de cidades ou estados de fronteira, como Foz do Iguaçu e Roraima, o que torna mais fácil o regresso. É importante dizer que o atendimento não é diferente de quem reside em Londrina. Estão sujeitos aos mesmos direitos e deveres, assim como qualquer um", argumentou.

Inaugurado em 2016, o Centro POP possui 17 auxiliares educativos, 15 orientadores sociais, uma socióloga, um terapeuta ocupacional, dois educadores físicos, dois pedagogos, oito assistentes sociais e três motoristas. Até este ano, a Prefeitura de Londrina investiu mais de R$ 10,6 milhões na manutenção do espaço. Para o ano que vem, o orçamento previsto para a mesma finalidade ultrapassa R$ 3,9 milhões.

Vício e solidão nas ruas

Aos 40 anos, Eduardo Dantas já foi açougueiro, pedreiro, mecânico, operador de máquinas, trabalhou com carteira assinada e fez bicos temporários. "Jogava muito futsal também. Dava pra ter seguido em uns times por aí", garantiu. Natural de Rolândia, Dantas vinha até Londrina na adolescência para treinar em um clube da cidade. Mas, ainda na adolescência, entre um treino e outro, começou a usar drogas.

"Teve um dia que eu fui trocar um negócio por maconha e não tinha. Me ofereceram crack e aí foi", contou. Aos poucos, o vício trouxe o desemprego e a solidão. Dantas vive nas ruas há 21 anos. Em busca de tratamento, já foi encaminhado para instituições no Mato Grosso, em Minas Gerais e em Goiás.

Os últimos 6 anos passou em Londrina e procurou atendimento no Centro Pop. "Venho aqui para tomar banho, comer e participo aí com o pessoal. As meninas são muito legais com a gente", elogiou. A luta contra o vício continua. Pela primeira vez, Dantas conseguiu vaga no abrigo Bom Samaritano. "Vou passar 15 dias lá. Está muito feio, vem muita gente de fora. Não tem tanta vaga pra todo mundo (sic)". (Colaborou Viviani Costa)

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