Entrada do Chile no Mercosul será demorada na área comercial
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Ariel Palácios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 20 (AE) - A entrada do Chile como sócio pleno no Mercosul será demorada. Pelo menos na área comercial. Segundo o chanceler argentino, Adalberto Rodríguez Giavarini, a forma da entrada plena do Chile no bloco está sendo analisada: "é óbvia a dificuldade da divergência das tarifas alfandegárias, já que as tarifas chilenas são mais baixas que as do Mercosul". Segundo o chanceler, é difícil definir um prazo para a inclusão do Chile, mas "estamos trabalhando nisso".
As tarifas alfandegárias externas que o Chile possui, de uma média ao redor de 7%, são o principal obstáculo, já que são muito baixas na opinião do Brasil e da Argentina. As tarifas dos países do Mercosul para produtos importados de fora do bloco são mais altas, com uma média de 14%, embora certos setores, como o automotivo, cheguem a tarifas de 35%, impensáveis para o Chile.
As declarações de Giavarini ocorreram durante a visita da chanceler chilena, Soledad Alvear, a Buenos Aires. Segundo Alvear, é o Mercosul que deve reduzir suas tarifas externas. "O Chile vai aguardar que o Mercosul continue aprofundado seu processo de abertura comercial, de forma que sua tarifa externa comum se aproxime de nossos próprios níveis alfandegários". Além disso, a ministra chilena também criticou a estrutura do órgão de solução de controvérsias do Mercosul, ao qual denominou de "ineficaz". Ela categorizou: "o bloco precisa de procedimentos permanentes" Fontes dos governos do Brasil e da Argentina informaram à Agência Estado que ambos países concordam em incorporar o Chile com um "movimento duplo": enquanto o lado comercial é analisado, integrar de forma rápida em outros setores, como na integração energética, infra-estrutura, política externa e defesa.
A Argentina e o Brasil têm especial interesse na integração do Chile, já que este país permitiria acesso ao Oceano Pacífico através de seus portos. Para a Argentina, o interesse é maior: o Chile é o terceiro maior investidor estrangeiro neste país. No ano passado, de mil projetos de investimentos chilenos para o exterior, 400 vieram para a Argentina. Além disso, com a entrada do Chile no Mercosul, a Argentina tentaria diluir o peso brasileiro no Mercosul. A manobra, no entanto, seria mais política que econômica: o PIB chileno equivale a somente 5% do total do Mercosul.


