Entrada de importados pode desestabilizar balança comercial
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domingo, 21 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 22 (AE) - A pressão de entrada de produtos importados em março, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), resultará em estabilidade na balança comercial. O vice-presidente da AEB, Márcio Fortes, disse que os importadores querem aproveitar o atual preço do dólar, de R$ 1 85, para internar produtos que estão hoje estocados nos portos sem registro final de entrada no País. Este movimento, fruto da instabilidade das cotações, está provocando uma reversão no saldo positivo da balança comercial, que está na faixa de US$ 60 milhões, segundo ele.
Depois de o dólar chegar a mais de R$ 2, os importadores acham que este é um bom momento para aproveitar a melhoria na cotação porque esperam que no final deste mês acontecerão novas altas no preço da moeda norte-americana em função de uma série de compromissos e dívidas que devem ser quitados em dólar. Fortes lembrou que uma compra forte de dólar, puxando a cotação, faz com que os importadores refaçam o cronograma de entrada de mercadorias no Brasil.
Fortes disse que este é um movimento que deve ficar isolado no mês de março, que ainda sofre com um alto volume de produtos importados em estoque nos portos. O vice-presidente da AEB lembrou que o governo chegou a anunciar que existia cerca de US$ 3 bilhões em mercadorias para serem internadas no País. Não existe condições de este total entrar de uma hora para outra, mas há espaço para um crescimento no volume de importações registradas na balança comercial.
O vice-presidente da AEB disse que alcançar o equilíbrio da balança em março é uma expectativa otimista, mas preferiu não fazer projeções negativas. Para Fortes, abril é que representará o mês crucial para o governo, que terá de amargar um número não muito confortável nos dados de março. Ele explicou que os estoques no próximo mês estarão menores, porque houve uma paralisação de novas importações e há expectativa que sejam retomadas as linhas de financiamento para as exportações, que passam a compensar a entrada de mercadorias.
Os financiamento ficaram muito fracos em março e não foram suficientes para conter uma pressão dos importados decorrente do clima de instabilidade da cotação do dólar, segundo o vice-presidente da AEB.
Para Fortes, os bancos, como se comprometeram, voltaram a oferecer crédito para as exportações brasileiras e as linhas de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) ganharão fôlego. Ele disse que alguns bancos operaram em fevereiro com apenas 30% da oferta de ACC registrada no mesmo mês do ano passado. O déficit da balança em março do ano passado foi de US$ 764 milhões, segundo a AEB.


