Londrina - Entidades que atuam diretamente no enfrentamento dos problemas do sistema penitenciário do Paraná já se mobilizam para evitar que rebeliões como a que destruiu a Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC) provoquem uma reação em cadeia nas demais unidades prisionais do Estado. Em Londrina, representantes de movimentos ligados aos direitos humanos, Pastoral Carcerária e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se reuniram ontem à tarde com o objetivo de elaborar um documento cobrando do governo estadual melhorias e investimentos nas duas Penitenciárias Estaduais de Londrina (PEL 1 e 2) e na Casa de Custódia (CCL). No encontro, realizado na filial do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), ficou clara a preocupação de que a rebelião ocorrida na PEC no início desta semana possa se repetir aqui.
"Com certeza pode haver rebelião em Londrina porque o sistema penal está defasado. Faltam agente penitenciário, médico, serviço social, advogado, falta tudo, só sobra preso. Existe uma situação de superlotação hoje e nós não temos condições de fazer nosso trabalho", afirmou o diretor do Sindarspen em Londrina, Adilson Moura. Ele lembrou que a unidade foi projetada para abrigar 360 presos, mas que com a construção do anexo onde funciona o "seguro" (celas onde estão condenados por crimes de violência sexual e abuso de menor) conta atualmente com cerca de 690 detentos.
O coordenador da comissão de estabelecimentos prisionais da OAB-Londrina, advogado José Carlos Mancini Júnior, disse que o temor de que outra rebelião ocorra no Estado advém do fato de que o incidente em Cascavel descortinou uma "nova modalidade" de motim, em que a superlotação não foi o maior fator de insatisfação.
Mancini endossou a necessidade de investimento em melhorias na infraestrutura e nos serviços internos nas unidades e cobrou mais valorização dos agentes penitenciários.

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