Brasília, 19 (AE)- A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) - duas das principais entidades representantivas dos produtores rurais - consideraram acertada a decisão do Ministério da Agricultura de conceder o registro para o plantio e comercialização da soja transgênica no País. Para o presidente da CNA, Antônio Ernesto de Salvo, prevaleceu o "império do juízo" na decisão. Ele disse que a CNA não vai aconselhar ninguém a plantar a soja transgênica, mas observou que o produtor brasileiro precisa ter o direito de aderir às inovações tecnológicas. O diretor-superintendente da OCB, Amilcar Gramacho
disse que a aprovação do registro pelo Ministério da Agricultura é boa porque dará armas ao produtor nacional para competir com as novas tecnologias.
Ele avalia, no entanto, que é preciso ampliar a discussão sobre todos os aspectos relacionados aos transgênicos para que o consumidor brasileiro entenda e se conscientize de que os produtos são seguros. O presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovsky, também aplaudiu a iniciativa do Ministério da Agricultura ao afirmar que seria um retrocesso tecnológico o País cercear o desenvolvimento dos transgênicos. "A opção de plantar ou não tem de ser do produtor rural", disse.
Koslovsky destacou ainda a possibilidade de o produtor nacional optar por atender mercados específicos de soja não-transgênica. "As cooperativas do Paraná estão sendo procuradas por grupos da França para produzir soja não transgênica, e isso é saudável", avaliou. O presidente da Ocepar defende a rotulagem obrigatória dos produtos transgênicos e observa que o Brasil precisa ter laboratórios capazes de identificar os organismos geneticamente modificados. Já o presidente da CNA, Antônio Ernesto de Salvo, diz que a entidade mantém a posição de que apenas os produtos não transgênicos devem ser rotulados.

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