Curitiba- Organizações civis de proteção aos direitos humanos pediram ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, reabertura, por meio de um mandado de segurança, do caso do assassinato do agricultor Sétimo Garibaldi. O crime aconteceu em novembro de 1998, na Fazenda São Francisco, em Querência do Norte (113 km de Paranavaí). Garibaldi foi vítima de um disparo de arma de fogo durante um despejo ilegal em um acampamento do MST. A pedido do Ministério Público, a Justiça de Loanda determinou, em maio deste ano, que o inquérito fosse arquivado.
Luciana Cristina Furquin Pivato, da Organização Não-Governamental (ONG) Terra de Direitos, uma das entidades que pede a reabertura do caso, diz que nesses quase seis anos da morte do agricultor, a Polícia Civil de Loanda que responde por Querência do Norte não conseguiu concluir as investigações. Luciana explica que de 1998 para cá, novos prazos para as diligências policiais eram solicitados até que este ano o MP pediu o arquivamento. ''Acreditamos que há elementos suficientes que justifiquem a continuidade da investigação'', ela afirma.
Segundo Luciana, depoimentos de testemunhas da morte de Garibaldi dizem que o despejo ilegal dos sem-terra começou por volta das 5 horas, quando 20 pessoas encapuzadas entraram no acampamento (com aproximadamente 200 famílias) na Fazenda São Francisco. Os sem-terra foram retirados à força dos barracos e tiveram que se deitar no chão. Ainda conforme as testemunhas, houve um disparo que atingiu a perna de Garibaldi, na época com 52 anos. ''O tiro atingiu uma artéria e a causa da morte foi hemorragia'', afirma Luciana. O MST acusa um fazendeiro da região e seu capataz de comandar o despejo.
A demora injustificada no processo de investigação da morte de Garibaldi levou a ONG Justiça Global, com sede no Rio de Janeiro, a entrar com uma petição na Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), denunciando o Estado Brasileiro pelo assassinato do sem-terra.

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