Entidades querem proibir animais em circos
chegou emocionada no local, ao lado de sua filha Mirela, de 3 anos, que viu o irmão ser arrastado pelos leões. Grávida de sete meses, Maria declarou que seu filho morreu para salvar outras vidas. "Disseram que a culpa foi do meu filho, que ele tinha chegado muito perto da jaula para passar a mão no leão. Mas ele era obediente. O que aconteceu é que no momento em que passamos, a jaula estava vazia e de repente surgiu um leão que atacou meu filho e puxou para dentro da jaula." Maria disse que conseguiu um psicólogo para acompanhar sua filha
que chora muito, e conta para os outros que o leão comeu seu irmão. Liminar - Quanto à liminar na Justiça que autorizou a reabertura do Circo Vostok, obtida na noite de ontem (14), o advogado da família, Jaime Menezes, disse que a primeira apresentação após o fato reuniu cerca de 20 pessoas, mas ele desconfia que essas pessoas eram do próprio circo. Menezes afirmou que tanto os responsáveis pelo circo como o Shopping Guararapes, onde está instalado, serão processados por perdas e danos materiais e morais, sendo exigida uma pensão alimentar aos pais, a irmã e o primo da vítima. O delegado disse ainda que o resultado da perícia comprovou que o leão não se alimentava havia quatro dias. Fiscalização - De acordo com ¶ngela Caruso, da Sociedade Beneficiente de Proteção aos Animais "Quintal São Francisco", de São Paulo, não há uma fiscalização rígida sobre o uso de animais em circos. Daniela Spalanazi, da Aliança Internacional alerta que em alguns circos os animais recebem como alimento cães e gatos recolhidos pela "carrocinha" e que diariamente a entidade recebe denúncias sobre maus tratos. "Além de não serem tratados com respeito, alguns animais são tirados brutalmente e, na maioria das vezes de maneira ilegal, de seu habitat natural."Por Ellen Fernandes São Paulo, 15 (AE) - Os pais do garoto Miguel dos Santos Fonseca Júnior, de 6 anos, que morreu domingo passado em Recife ao ser atacado por leões no Circo Vostok, participaram hoje de um protesto contra o uso de animais em circos. A manifestação foi promovida pela Aliança Internacional de Proteção ao Animal, em frente ao Masp, na Avenida Paulista. "Não vou desistir de lutar pela justiça. Meu filho morreu por causa da falta de segurança do circo e pelos maus tratos aos animais", declarou o pai, José Miguel dos Santos Fonseca. Também participaram da manifestação representantes de diversas entidades de São Paulo, usando camisetas com a frase "circo legal não tem animais" e uma fita preta em sinal de luto. A presidente da Aliança Internacional de Proteção aos Animais, Aila Franco, explica que o uso de animais para a diversão do Homem é uma prática abominável e inconcebível. "Não queremos que as pessoas sejam enganadas e em alguns casos, vítimas da ganância do Homem, que não tem consciência e continua desrespeitando os animais e a natureza de maneira geral." Segundo Fonseca, este não foi o primeiro caso e nem será o último, se a população e as autoridades não se mobilizarem. "Não tenho nada contra os animais, mas é um risco constante, principalmente pela falta de estrutura dos locais", justificou. Ele garante que seu filho passou pelo local que foi indicado pelo funcionário do circo. "Eu vi outras pessoas passando pelo local antes e mesmo assim fui perguntar para o funcionário. Meu filho morreu por uma imprudência, pela falta de segurança no local", afirma. Maria da Conceição Silva Guedes, de 28 anos, mãe do garoto morto





