Entidades querem mudanças em educandários
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sábado, 25 de setembro de 2004
Ellen Taborda<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Entidades de defesa dos direitos das crianças e adolescentes querem mudanças nas medidas socioeducativas aplicadas a infratores menores de idade. A polêmica foi reaberta com a morte de sete adolescentes em rebelião interna no Educandário São Francisco, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, na madrugada de quinta para sexta-feira.
As visitas de parentes aos internos da instituição foi suspensa. A Polícia Militar reforçou a segurança no local e nenhum novo incidente foi registrado. Policiais vão monitorar o local até que as obras de recuperação do prédio fiquem prontas, em novembro.
Mas para as entidades que trabalham pelo direito da criança e do adolescente, o sistema precisa ser revisto. São essas mudanças que estarão em discussão em reuniões nesta semana em Curitiba. Amanhã, o encontro será na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo a presidente da Comissão da Criança e Adolescente, Márcia Caldas Veloso, será discutida a eficácia das instituições que abrigam os adolescentes infratores. Ainda amanhã, um representante da Secretaria Especial de Direitos Humanos estará visitando o Educandário São Francisco.
O Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca) convocou também reunião extraordinária para a próxima quinta-feira. Para a presidente da entidade, Ety Cristina Forte Carneiro, a tragédia do educandário deve promover as discussões para a mudança no sistema correcional.
O tumulto, que envolveu 170 dos 237 internos do educandário, começou na noite de quinta-feira e terminou na madrugada de sexta-feira. Os mortos tinham entre 16 e 18 anos. Três deles eram de Londrina (ver texto ao lado), um de Curitiba, um de Cambé (13 km a oeste de Londrina), um de Cascavel e um de Jacarezinho. Segundo a polícia, eles foram assassinados com ''estoques'', espécie de arma improvisada.
O corpo do adolescente Alessandro dos Reis Carvalho, 18 anos, foi enterrado ontem em Curitiba. Segundo o tio do rapaz, José Carlos de Carvalho, ele já deveria ter sido transferido para um centro de recuperação de drogados, em Londrina.


