São Paulo, 11 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) foi saudado hoje, no Palácio dos Bandeirantes, por cerca de 400 manifestantes, sob os gritos de "Febem não faz bem, não é casa pra ninguém". Representantes de entidades de defesa dos direitos dos menores, além de mães e adolescentes, foram exigir a descentralização da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem).
Irritado com o comportamento dos manifestantes, que o acusaram de não ter "vontade política" e o vaiaram, Covas não anunciou providências. "Eu não sei o que falta", disse, ao ser questionado sobre sua postura em relação à entidade. Os manifestantes também levaram ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Guimarães Marrey, uma representação contra o governador, acusando-o de crime de responsabilidade por não estar cumprindo determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Covas ouviu seis pedidos de descentralização de líderes de diferentes entidades e do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado Renato Simões (PT). O grupo entregou ao governador um relatório com propostas para a Febem e um manifesto intitulado "São Paulo, Subversivo, Infrator e Inadimplente Com Seus Meninos". Críticas - O governador começou a irritar-se quando o presidente da Febem, Eduardo Roberto Domingos da Silva, foi ao microfone rebater as críticas e acabou sendo vaiado e chamado de "mentiroso" por alguns manifestantes. "Se vocês vieram para dialogar, não podem vaiar", afirmou Covas. Depois de dizer que seu governo faz exatamente a política que disse que ia fazer durante a campanha e nenhum conselho vai substituí-lo, ele agradeceu a "visita" e disse que ia analisar o material recebido.
Sob vaias, o governador dirigia-se à saída do auditório e perguntava aos manifestantes: "Vocês estão pensando que são a sociedade civil?", explicando mais tarde que um grupo de 400 pessoas não pode pretender ser representante do povo. Os organizadores do protesto acusam Covas de não ter "vontade política" para resolver o problema. "Essa questão precisa ser tratada como política pública, que seja prioridade", disse a representante do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) Célia Aparecida de Souza. Planos - Para a representante do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) Maria Isabel da Silva é preciso recomeçar a Febem, "do zero", trocando até o presidente da instituição e a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Marta Godinho. "Eles já demonstraram que não têm competência, queremos ousar com outras pessoas".
A secretária afirmou que os manifestantes têm o "direito" de pensar assim, mas ressaltou que faz seu trabalho adequadamente. "Temos uma posição firme e um interesse sério pelo ECA". Os manifestantes reiteraram o pedido de descentralização da entidade, o que já vem sendo feito pelo governo. A idéia é criar unidades regionais, que permitam que o infrator fique mais próximo de sua comunidade, facilitando a reintegração à sociedade. O problema é que prefeitos e vereadores de muitas cidades do interior e da Grande São Paulo não querem permitir a construção dessas unidades.
Pelo planejamento do governo, até o próximo ano deverão ficar prontas 30 unidades que permitirão essa descentralização. "Nós buscamos isso desde o primeiro ano de governo", disse Covas. "Até prefeitos do meu partido são contra, o que é que eu vou fazer?". Covas afirmou que não faltam verbas à entidade, que os funcionários ganham bem e gostaria de estar numa situação melhor com relação a essa questão. "Mas o meu governo não é só Febem".

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