Entidades pedem permanência de Turra no ministério
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 12 (AE) - Dirigentes de sete grandes entidades representativas do agribusiness nacional pedem ao presidente Fernando Henrique Cardoso a manutenção do ministro Francisco Turra no Ministério da Agricultura. Em correspondência encaminhada na semana passada, os dirigentes afirmam que o "setor agrícola, superavitário em termos de balança comercial, grande gerador de riqueza e empregos, precisa de estabilidade".
Eles dizem que, somente na década de 90, o Ministério da Agricultura já teve 14 titulares, com prejuízos para o setor. "Cada ministro nomeado propõe novos planos, reformas, projetos que são descontinuados a cada troca efetuada, desestruturando a já tão sofrida agricultura nacional."
Na carta, assinada pelos presidentes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), Edmundo Klotz, da Asssociação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Carne de Frango (ABEF), Luiz Fernando Furlan, da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (ABIEC), Antonio Russo Netto, da Associação Brasileira da Indústria de àleos Vegetais (ABIOVE), César Borges, da União Brasileira de Avicultura (UBA), Zoé Silveira d´ávila, e da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS), Alfredo Felipe da Luz Sobrinho, os representantes do setor afirmam que Turra vem realizando excelente trabalho. "Discreto, trabalhador, eficiente, o ministro Turra vem resolvendo problemas que eram recorrentes há muitos anos". O ministro, que estava em Londres na semana passada, agradeceu hoje a manifestação de apoio das entidades.
A expectativa dos assessores do ministro Turra é de que ele permaneça no cargo, apesar das pressões para que, mais uma vez, o Ministério da Agricultura sirva de moeda de troca na reforma ministerial que será anunciada nos próximos dias pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo esses assessores, Turra já teria tido a garantia do presidente de que continuará no cargo, mas alguns lembram o episódio ocorrido com o antecessor no cargo
senador Arlindo Porto, para avaliar que só isto não basta. Em maio do ano passado, Fernando Henrique decidiu tirar Arlindo Porto do Ministério da Agricultura enquanto ele estava em missão oficial na Austrália, para onde embarcou com a garantia do presidente de que não haveria alteração na pasta.
Fonte próxima ao presidente disse à Agência Estado que no Palácio do Planalto não se entende por que Turra ainda não pediu demissão do cargo, já que o plano de safra anunciado por ele em junho foi considerado um fracasso. "O ministro antecipou uma série de medidas que não estavam acertadas e depois disse que elas não saíram porque a área econômica impediu", disse a fonte. Outros assessores do Palácio dizem que Turra não soube tirar proveito do que consideram a "supersafra" de cerca de 83 milhões de toneladas de grãos colhida recentemente.
Os assessores do Ministério da Agricultura rebatem, no entanto, essa avaliação, e dizem que não fariam "propaganda enganosa", com a safra. "Apesar de ser recorde, a safra ainda é muito pequena perto do potencial brasileiro", afirmam os assessores. Só para situar o volume, lembram que os Estados Unidos produzem anualmente, apenas de milho, cerca de 240 milhões de toneladas, ou cerca de três vezes a produção brasileira de todos os grãos.


