Entidades pedem legalização do aborto
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terça-feira, 03 de maio de 2005
Irene Lôbo e<br>Juliana Andrade<br>Agência Brasil 
Brasília, DF - A legalização do aborto no Brasil é uma das recomendações do relatório para o direito humano à saúde, divulgado ontem pela Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais (DhESC), que reúne 40 entidades da sociedade civil. O relatório diz que a medida deve ser adotada com vista ao resgate da dívida histórica com as mulheres no que diz respeito a seus direitos sexuais e reprodutivos, bem como a diminuição da mortalidade materna, com seqüelas provocadas pelo aborto inseguro, e pelo fim da discriminação e humilhação sofrida por mulheres em todos os setores.
A relatoria do direito humano à saúde investigou num período de dois anos o alto índice de abortos provocados registrados em hospitais ou em maternidades públicas do Sistema Único de Saúde (SUS). A escolha do tema foi feita em razão de inúmeras denúncias de maus-tratos e discriminação sofrida pelas mulheres que provocaram o aborto, durante o atendimento no SUS, mesmo com respaldo legal. No Brasil, o aborto é permitido em casos de risco de vida para a mãe ou gravidez resultante de estupro.
Após receber denúncias de morte, desinformação e discriminação, a relatoria decidiu investigar o atendimento a mulheres em situação de aborto inseguro em duas maternidades públicas de Belo Horizonte (MG). Durante a visita às duas maternidades, foi constatado o atendimento respeitoso e de qualidade às mulheres em situação de aborto provocado, embora não fosse divulgada a existência do serviço de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual, caso em que o aborto é permitido por lei.


