Entidades médicas se dizem 'constrangidas'
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terça-feira, 26 de março de 2002
Agência Folha 
São Paulo - Em entrevista coletiva, presidentes da Associação Médica Brasileira, Associação Brasileira de Pediatria, Conselho Federal de Medicina e um representante da Associação Brasileira de Psiquiatria, disseram ontem que a categoria está constrangida com os últimos acontecimentos.
Após a detenção do pediatra Eugenio Chipkevitch, 47, sob acusação de abusar sexualmente de crianças e adolescentes, especialistas afirmam que preservar a relação médico-paciente é extremamente importante.
Segundo Edson de Oliveira Andrade, presidente do Conselho Federal de Medicina, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo recebeu 2.641 denúncias contra médicos no ano passado e apenas uma informava sobre assédio sexual. Os pediatras respondiam por 129 denúncias. Nenhuma das denúncias era relacionada com Eugenio Chipkevitch.
Os médicos afirmam que as denúncias contra o pediatra são um caso isolado. A relação afetiva não pode ser maculada por um episódio como esse, disse Lincoln Marcelo Silveira Freire, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.
O paciente (adolescente) deve ter, dependendo do caso, um espaço para conversar isoladamente com o médico, para colocar seus problemas. Mas a orientação é para que exames físicos sejam realizados na presença de pais, responsáveis ou de algum outro profissional, até para resguardar o médico, disse Freire.
Segundo o representante da Associação Brasileira de Psiquiatria, Marco Ferraz, a pedofilia é uma doença, mas ele (acusado) tem consciência do que faz. Ele não é inimputável.
Orientação - A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade de Pediatria de São Paulo disponibilizam linhas telefônicas para orientar pais e pacientes que supostamente tenham sido vítimas do pediatra acusado.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Lincoln Marcelo Silveira Freire, as vítimas devem receber orientações, em todo o país, pelo telefone. Os interessados deverão se identificar e informar o nome do paciente para um atendente, que encaminhará o pedido para um especialista. As vítimas terão o sigilo preservado.
O telefone da Sociedade Brasileira de Pediatria é (21) 2548-1999. O telefone da Sociedade de Pediatria de São Paulo é (11) 3284-0308.


