São Paulo - Em entrevista coletiva, presidentes da Associação Médica Brasileira, Associação Brasileira de Pediatria, Conselho Federal de Medicina e um representante da Associação Brasileira de Psiquiatria, disseram ontem que a categoria está ‘‘constrangida’’ com os últimos acontecimentos.
Após a detenção do pediatra Eugenio Chipkevitch, 47, sob acusação de abusar sexualmente de crianças e adolescentes, especialistas afirmam que preservar a relação médico-paciente é ‘‘extremamente importante’’.
Segundo Edson de Oliveira Andrade, presidente do Conselho Federal de Medicina, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo recebeu 2.641 denúncias contra médicos no ano passado e apenas uma informava sobre assédio sexual. Os pediatras respondiam por 129 denúncias. Nenhuma das denúncias era relacionada com Eugenio Chipkevitch.
Os médicos afirmam que as denúncias contra o pediatra são um caso isolado. ‘‘A relação afetiva não pode ser maculada por um episódio como esse’’, disse Lincoln Marcelo Silveira Freire, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.
‘‘O paciente (adolescente) deve ter, dependendo do caso, um espaço para conversar isoladamente com o médico, para colocar seus problemas. Mas a orientação é para que exames físicos sejam realizados na presença de pais, responsáveis ou de algum outro profissional, até para resguardar o médico’’, disse Freire.
Segundo o representante da Associação Brasileira de Psiquiatria, Marco Ferraz, ‘‘a pedofilia é uma doença, mas ele (acusado) tem consciência do que faz. Ele não é inimputável’’.
Orientação - A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade de Pediatria de São Paulo disponibilizam linhas telefônicas para orientar pais e pacientes que supostamente tenham sido vítimas do pediatra acusado.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Lincoln Marcelo Silveira Freire, as vítimas devem receber orientações, em todo o país, pelo telefone. Os interessados deverão se identificar e informar o nome do paciente para um atendente, que encaminhará o pedido para um especialista. As vítimas terão o sigilo preservado.
O telefone da Sociedade Brasileira de Pediatria é (21) 2548-1999. O telefone da Sociedade de Pediatria de São Paulo é (11) 3284-0308.

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